<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373</id><updated>2012-02-15T23:45:02.793-08:00</updated><title type='text'>MOSAICO</title><subtitle type='html'>Porque a vida é assim mesmo, um grande mosaico, todo remendado, aos pedaços, mas encantador!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-4387647729514623972</id><published>2010-05-06T12:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T12:08:52.146-07:00</updated><title type='text'>O DESCANSO DO GUERREIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MTuRtrsrI/AAAAAAAAAPw/zETZ4SWWEIA/s1600/trem+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MTuRtrsrI/AAAAAAAAAPw/zETZ4SWWEIA/s400/trem+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468236058307834546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calado e imóvel, &lt;br /&gt;não corre mais pelos trilhos. &lt;br /&gt;Sente saudade do burburinho das gentes, &lt;br /&gt;das paisagens diversas, &lt;br /&gt;do vento na cara. &lt;br /&gt;Velho triste que agoniza sob o sol escaldante. &lt;br /&gt;Mais um dia. &lt;br /&gt;Triste velho que adormece olhando estrelas. &lt;br /&gt;As mesmas estrelas que iluminaram caminhos. &lt;br /&gt;A vitalidade escorreu pelos vãos do tempo. &lt;br /&gt;A alegria tomou outro trem. &lt;br /&gt;Nada mais a fazer que abrir, &lt;br /&gt;vez ou outra, &lt;br /&gt;seu sorriso desdentado e sombrio &lt;br /&gt;para uma câmera indiscreta &lt;br /&gt;que descortina intimidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-4387647729514623972?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/4387647729514623972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=4387647729514623972' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4387647729514623972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4387647729514623972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/o-descanso-do-guerreiro.html' title='O DESCANSO DO GUERREIRO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MTuRtrsrI/AAAAAAAAAPw/zETZ4SWWEIA/s72-c/trem+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-8932059112896406147</id><published>2010-05-06T11:42:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T12:34:24.860-07:00</updated><title type='text'>MUITO ALÉM DAS IMPOSIÇÕES</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MRl0KSkXI/AAAAAAAAAPg/zo2VKhw-ymc/s1600/gruta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MRl0KSkXI/AAAAAAAAAPg/zo2VKhw-ymc/s400/gruta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468233713912549746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O sol aquecia a cidade e os ventos se amoitavam em outras paragens, bem longe. &lt;br /&gt;Helena estava parindo seu quinto rebento da mesma forma como dera à luz seus outros quatro filhos. Com dificuldade, beirando a fronteira da loucura. &lt;br /&gt;As carnes se rasgavam, o sangue empapava as toalhas brancas, e Helena, endoidecida pela dor, amaldiçoava o marido, seus desejos nojentos e sua existência. &lt;br /&gt;O derradeiro urro se juntava ao choro de mais um filho, concebido pelo gozo maldito do homem que, contra a sua vontade, era seu. &lt;br /&gt;E quando as dores intensas eram substituídas por pequenas dores, ela deitava o olhar sobre a criança, conferia braços, pernas e parecenças. Sorria um riso conformado. &lt;br /&gt;Deixava-se ficar por algumas horas largada sobre a cama, distante das conversas das comadres, do bater de panelas na cozinha, do zumbido das moscas gordas voejando sobre a galinha morta, depenada e pronta para virar canja. &lt;br /&gt;Não se importava com o sol que entrava, sem permissão, pelas vidraças descortinadas. &lt;br /&gt;E se os ventos espantassem o sol para além das montanhas e tamborilassem no telhado a melodia arrítmica da chuva, ainda assim ela não se importaria. &lt;br /&gt;Que fosse dia ou noite. Que a noite se mostrasse escura de assombrações ou alva como a lua. Que a lua exibisse qualquer das suas quatro faces. Tanto fazia! &lt;br /&gt;Fechava os olhos e voava para lugar nenhum. Longe o bastante para tomar fôlego novo. Perto o suficiente para não sucumbir à vontade de abandonar os dias truculentos. &lt;br /&gt;E as forças voltavam. Cambaleantes. Sempre voltavam. Adquiriam pálidas cores e prosseguiam na lida. &lt;br /&gt;Os filhos, todos eles, todos homens, sobreviveram. Cheios de preguiça de viver. Mas arribaram. &lt;br /&gt;A Helena restavam, como conforto, as idas diárias à igreja. E as orações solitárias ao pé da imagem de Nossa Senhora, a mãe de todos. &lt;br /&gt;Contava suas desditas e confidenciava vontades e pecados. E nem eram tantos. &lt;br /&gt;E Nossa Senhora entendia. Era mãe. Era mulher. Entendia e perdoava. &lt;br /&gt;Vez por outra, quando lhe sobravam minutos, Helena se ajoelhava aos pés de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;Olhava o corpo seminu e o sangue pálido escorrendo das feridas. &lt;br /&gt;Rezava um “Pai Nosso” apressado: &lt;em&gt;... o pão nosso de cada dia dai-nos hoje...perdoai as nossas ofensas...livrai-nos do mal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas naquele dia, enquanto recitava a oração, percebeu as cores desbotadas da imagem. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Perdoai, Senhor! Não quis botar reparo. Já bastam as vossas humilhações em vida. É que meu sangue quando se derrama é de um vermelho tão vivo e tão diferente do vosso! É vermelho de dor, de raiva, até de ódio, Senhor! Não tem falta de tinta que amenize as minhas dores. Perdoai uma vez mais. As vossas cores não precisam de tinta. Vosso sangue não deve ser derramado novamente. Que fique pálido como uma lembrança sem dor. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Permaneceu em silêncio, olhando Jesus Cristo descorado e seminu. Teve um estremecimento. Notou sua condição de homem. &lt;br /&gt;Indignou-se repentinamente. &lt;br /&gt;Os conceitos milenares desabaram sobre ela. Falsos. Todos eles. &lt;br /&gt;Vomitou, aos pés de Jesus Cristo, os momentos em que fora subjugada pela vontade masculina e os instantes em que ansiara por liberdade. &lt;br /&gt;Vomitou seu desejo de ser Helena, apenas Helena, a filha bastarda de Nossa Senhora. &lt;br /&gt;Verteu lágrimas de sangue. Entendeu a dor de compreender muito além das regras impostas. &lt;br /&gt;Acalmou-se. Reconciliou-se com o filho de Deus. Era um bom homem. &lt;br /&gt;Aceitou a missão. &lt;br /&gt;Faria uma grande revolução. Sem discursos, promessas, sangue derramado. Sem crucificações. &lt;br /&gt;Encarou o olhar do Cristo uma vez mais. Castanho e fulgurante. Ganhara nova mão de tinta. &lt;br /&gt;Voltou para casa. Avistou seus cinco filhos e compreendeu o início da transformação. &lt;br /&gt;Eles seriam como Jesus Cristo. Homens bons. &lt;br /&gt;E teriam filhos que teriam filhos que teriam filhos. &lt;br /&gt;Todos eles, homens bons.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-8932059112896406147?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/8932059112896406147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=8932059112896406147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8932059112896406147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8932059112896406147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/muito-alem-das-imposicoes.html' title='MUITO ALÉM DAS IMPOSIÇÕES'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MRl0KSkXI/AAAAAAAAAPg/zo2VKhw-ymc/s72-c/gruta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-5230561722078660828</id><published>2010-05-06T11:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T11:41:44.818-07:00</updated><title type='text'>MINUTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MNU_oXJ7I/AAAAAAAAAPY/Sj7OApPsx2Q/s1600/vermelho+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MNU_oXJ7I/AAAAAAAAAPY/Sj7OApPsx2Q/s400/vermelho+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468229026887182258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ela almoçou no restaurante de todos os dias. Ana. Sozinha. &lt;br /&gt;Observou as pessoas, seus movimentos, o arrastar de cadeiras e o ruído indefinido das conversas. &lt;br /&gt;E quando terminou a refeição, um telefonema insípido tomou-lhe dez longos minutos. &lt;br /&gt;Finalmente ganhou a rua. O hálito quente da tarde colou-se ao seu vestido branco e arrefeceu sua pressa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele almoçou em casa. Henrique. À mesa, as duas filhas e a esposa. &lt;br /&gt;Observou a família, o tagarelar monótono, o suco vermelho derramado sobre a toalha branca, o eterno duelo entre as irmãs. &lt;br /&gt;Entediado, mal tocou nos alimentos. Levantou-se. Olhou a vida através da janela. &lt;br /&gt;Pegou a chave do carro e saiu rapidamente, ignorando o olhar inquisidor da esposa. &lt;br /&gt;Alcançou a rua. O calor da tarde causou-lhe ligeiro torpor. Acelerou e sentiu o vento no rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana seguiu seu caminho. Lentamente. Atravessou a praça. &lt;br /&gt;O mendigo aleijado, ocupando ponto próprio, equilibrava o andar - ora perna, ora muleta. &lt;br /&gt;Um advogado de meia idade, em seu terno mal cortado, passou por ela. Apressado. A fronte úmida de suor. Exalava desânimo. &lt;br /&gt;O sorveteiro acenou. Abacaxi e groselha. Pródigos tempos. Uva e acerola. Verão. &lt;br /&gt;Alguns pássaros barulhentos migraram de uma árvore para outra. Brincadeiras. Sabe-se lá! Ana sorriu. &lt;br /&gt;Percebeu as flores da estação, coloridas e exuberantes. Lembrou-se dos flamboyants, dos ipês, das quaresmeiras. &lt;br /&gt;Concluiu que a cidade vivia em incessante primavera. &lt;br /&gt;Resolveu atravessar a rua. Seus pés tocaram o asfalto quente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique seguiu pelas avenidas. Pensativo. Cinqüenta anos. A vida estacionara na mesmice. &lt;br /&gt;Parou o carro no semáforo avermelhado. &lt;br /&gt;Enxergou a menina grávida, atravessando a faixa, quatorze anos, não mais. Pensou nas próprias filhas. Sentiu medo. &lt;br /&gt;Uma carroça cruzou a avenida. Logo atrás, seus acessórios: três cachorros esquálidos e fiéis à miséria. &lt;br /&gt;Sinal verde novamente. Henrique ganhou velocidade e mais uma vez sentiu o vento no rosto. &lt;br /&gt;A liberdade acenava. A vida chamava. Ele não percebeu aqueles pés atravessando o asfalto tremeluzente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique, apalermado, sentiu o baque. O suco vermelho escorreu, mais uma vez, sobre a toalha branca. &lt;br /&gt;Ana esparramou-se sobre a calçada. Dez longos minutos de sangue mancharam, irremediavelmente, seu vestido branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-5230561722078660828?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/5230561722078660828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=5230561722078660828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5230561722078660828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5230561722078660828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/minutos.html' title='MINUTOS'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MNU_oXJ7I/AAAAAAAAAPY/Sj7OApPsx2Q/s72-c/vermelho+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-7402951179454634587</id><published>2010-05-06T10:05:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T11:19:59.819-07:00</updated><title type='text'>A RESSURREIÇÃO DO EGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MID_aFCrI/AAAAAAAAAPQ/rs3feZDqpqE/s1600/mar+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MID_aFCrI/AAAAAAAAAPQ/rs3feZDqpqE/s400/mar+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468223237211359922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou, perplexa, a ausência amoitada nos cantos da casa. &lt;br /&gt;Caminhou lentamente pelos corredores e sentiu o odor das flores agonizantes e o perfume do charuto abandonado no cinzeiro. &lt;br /&gt;Apertou os passos e avistou os armários abertos, revelando o vazio das sedas, do linho e do algodão. &lt;br /&gt;Ele se fora. Sem explicações. Uma que fosse, bastava. Mas ele se fora sem deixar bilhetes, endereços, motivos. &lt;br /&gt;Desabou sobre a cadeira mais próxima. &lt;br /&gt;Agarrou o telefone e procurou por ele no escritório. Estava em viagem de férias. &lt;br /&gt;Em pânico, tentou rastrear uma razão através do celular. Fora de área. &lt;br /&gt;Lembrou-se dos amigos em comum. Surpresos, não souberam explicar. &lt;br /&gt;Por que? &lt;br /&gt;A indagação incansável tomou seus pensamentos. &lt;br /&gt;Rememorou a convivência pacífica, as festas espetaculares, as viagens luxuosas, o sexo semanal, os diálogos tranqüilos. &lt;br /&gt;Possui a convicção plena da esposa perfeita que foi. E, no entanto, ele partiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bela e exuberante mulher. Era o centro de todas as atenções naquela festa. &lt;br /&gt;Apaixonei-me instantaneamente e decidi que ela seria minha. &lt;br /&gt;Afaguei-lhe as vaidades, fiz suas vontades, escutei pacientemente seus monólogos fúteis. &lt;br /&gt;Anulei meu próprio ego, refém de um amor doente e unilateral. &lt;br /&gt;Ela, no entanto, nunca se deu ao trabalho de me perguntar se eu preferia azul ou verde, mar ou campo, chuva ou sol. &lt;br /&gt;Nunca me deu alternativas como ir ao invés de ficar. Ou caminhar para lá e acolá. &lt;br /&gt;Compreendo que a culpa foi inteiramente minha. &lt;br /&gt;Jamais discuti ou discordei de suas idéias tolas. &lt;br /&gt;Entoei em seus ouvidos, vezes sem fim, a melodia do relacionamento perfeito. &lt;br /&gt;Para me sentir feliz, bastava escuta-la cantarolar suas frivolidades pela casa. &lt;br /&gt;Para me sentir enlevado, bastava vê-la desfilar sua nudez pelo quarto. &lt;br /&gt;Para me sentir completo, bastava beijar-lhe a boca rubra, os seios fartos, penetra-la com paixão e despejar sobre ela a loucura represada por dias e dias. &lt;br /&gt;Demorei tempo demais para perceber que não gostava de caviar, charutos e festas. &lt;br /&gt;E a singela descoberta me levou a outros desejos muito distantes dos desejos dela. &lt;br /&gt;Resolvi fazer as malas e avistar-me com o mar azul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar, onda após onda, sussurra em meus ouvidos que devo acarinhar todas as minhas vontades e vaidades. &lt;br /&gt;E a lua, crescente e faceira, escuta meus monólogos eloqüentes e me diz, noite após noite, que meu ego só faz crescer. &lt;br /&gt;Tenho a convicção de que, em pouco tempo, estarei curado. &lt;br /&gt;Sim, serei dono, enfim, de um grande e buliçoso ego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma única vez falei com ela, por telefone. Gentileza de minha parte. Tranqüilizei-a. &lt;br /&gt;- Sim, eu estou bem. &lt;br /&gt;Ela me fez outra pergunta, a mesma pergunta que tortura, minuto a minuto, seu cérebro apalermado: &lt;br /&gt;- Por que? &lt;br /&gt;- Questões do ego, minha cara!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-7402951179454634587?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/7402951179454634587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=7402951179454634587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7402951179454634587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7402951179454634587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/ressurreicao-do-ego.html' title='A RESSURREIÇÃO DO EGO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-MID_aFCrI/AAAAAAAAAPQ/rs3feZDqpqE/s72-c/mar+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-5525019799893460548</id><published>2010-05-06T09:59:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T10:04:48.166-07:00</updated><title type='text'>ELOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L2ky-Cl7I/AAAAAAAAAPI/mZKB9ZPif3Y/s1600/amanhecer+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L2ky-Cl7I/AAAAAAAAAPI/mZKB9ZPif3Y/s400/amanhecer+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468204009598916530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordou na escuridão. &lt;br /&gt;Sentia frio, e ainda confuso, tentava se lembrar dos acontecimentos. A rua deserta, o sol do meio dia, a pancada na cabeça. &lt;br /&gt;Procurou nos bolsos, em movimentos arrastados, o celular. Em vão. &lt;br /&gt;Sentiu medo. Antônio. Escutou o silêncio indecifrável e perturbador. &lt;br /&gt;Apalpou o corpo e o espaço em que dormira, um colchão fedendo a mofo. Tateou um pouco além. Aquietou-se. &lt;br /&gt;Afugentou o próprio terror. Bastava-lhe o espanto de não compreender. &lt;br /&gt;As batidas do seu coração, um improvisado relógio, mostravam-se inúteis para marcar o tempo. Arrítmicas, descompassavam minutos, horas ou dias. &lt;br /&gt;Levantou-se. Ensaiou a primeira marcha dentro da cegueira inesperada. Caminhou lentamente na escuridão. &lt;br /&gt;Contou os passos. Cinco. Suas mãos encontraram a parede fria. Voltou. Aliviado, encontrou o colchão úmido, doravante seu ponto de partida e seu descanso em meio ao desconhecido. &lt;br /&gt;Nova caminhada em outra suposta direção. Quatro passos. Tropeçou e caiu sobre um volume rígido e frio. Assustou-se. O tato delineou a forma de um corpo humano. Morto. &lt;br /&gt;Sufocou o grito. O suor abundante molhou a pele, a roupa, o medo. &lt;br /&gt;Transtornado, estendeu os braços e correu. Tocou mais uma vez a parede fria. Qual delas? Perdeu-se. &lt;br /&gt;O tempo galopava dentro do peito. Agarrou-se ao nada. Trêmulo, fechou os olhos, como se já não bastasse a escuridão habitual. &lt;br /&gt;Passo a passo, encontrou novamente o porto seguro, seu colchão. Exausto, dormiu. Sono em sobressaltos. Intercalou desespero e calmaria, choro e orações. &lt;br /&gt;O odor fétido do cadáver avançava sobre ele. Intenso. Mais e mais. Quantas noites? Sentia-se enlouquecer. &lt;br /&gt;Dominando o pavor, agora inevitável, investiu em nova exploração buscando uma saída. Encontrou. &lt;br /&gt;Em desespero, chutou e esmurrou a porta. Aos berros. Não mais se importava com as conseqüências. &lt;br /&gt;No entanto, nada aconteceu. Nenhum ruído. Nenhuma reprimenda. Absolutamente nada mudou o panorama escuro e sufocante. &lt;br /&gt;Percebeu a sede intensa. Imaginou a água da chuva caindo, abundante, encharcando sua alma cansada. &lt;br /&gt;Imaginou a vida, as ruas movimentadas, as pessoas caminhando despreocupadas sob o calor do sol. &lt;br /&gt;Restara-lhe, dentro da solidão, o morto e seu odor asqueroso. &lt;br /&gt;Fez perguntas ao silêncio. Fez perguntas a si mesmo. E cansado de tantas perguntas inúteis, passou a travar longas conversas com o cadáver. &lt;br /&gt;Falou sobre alegrias e mágoas. Sobre sonhos e projetos. Sobre amores e desejos. Falou principalmente sobre a liberdade. &lt;br /&gt;Elos. Elos de vida e morte. Elos de razão e loucura. Acorrentou-se aos elos. &lt;br /&gt;Durante um entre tantos sonos, talvez um sonho, Antônio escutou vozes abafadas. &lt;br /&gt;Uma pequena fresta se abriu e ele pensou avistar estrelas. Uma ou duas. Sim, eram estrelas. &lt;br /&gt;Novos sussurros. Ligeiras divergências. Deixaram a porta entreaberta. Sumiram noite adentro. &lt;br /&gt;Antônio escutou o silêncio e arriscou novos passos. Espiou a noite. Constatou a solidão. &lt;br /&gt;Saiu do casebre. A liberdade acenava. Ouvia, não muito distantes, os sons da rodovia. &lt;br /&gt;Pensou no morto. Uma estranha compaixão o impediu de fugir. Não o deixaria sozinho. Voltou. &lt;br /&gt;Escancarou a porta. A claridade invadiu o interior do barraco. &lt;br /&gt;Antônio se aproximou lentamente do corpo imóvel. &lt;br /&gt;Reconheceu-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-5525019799893460548?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/5525019799893460548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=5525019799893460548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5525019799893460548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5525019799893460548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/elos.html' title='ELOS'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L2ky-Cl7I/AAAAAAAAAPI/mZKB9ZPif3Y/s72-c/amanhecer+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-8531724649959888134</id><published>2010-05-06T09:56:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T09:58:51.038-07:00</updated><title type='text'>RESTAURAÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L1Oj6rRlI/AAAAAAAAAPA/mIzgXgieqJo/s1600/restaurar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L1Oj6rRlI/AAAAAAAAAPA/mIzgXgieqJo/s400/restaurar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468202528089523794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Odiava a esposa. Assim, sem querer, sem nenhum motivo ou por todos eles. &lt;br /&gt;O cheiro dos cabelos dela, impregnado nos travesseiros, odiava. &lt;br /&gt;Odiava as palavras que escorriam garganta afora em sussurros ou gritos. &lt;br /&gt;A boca que se abria em risos ou gargalhadas, odiava. &lt;br /&gt;Odiava os gestos que se debatiam no ar ou no próprio colo. &lt;br /&gt;Os passos dados em sua direção, os pés desnudos e silenciosos no meio da noite, os saltos altos trincando o assoalho pela manhã, odiava. &lt;br /&gt;E odiava, principalmente, aquele seu jeito coquete de olhar e se insinuar e reclamar amor. &lt;br /&gt;O sexo, aos trancos, quando se fazia inevitável, deixava um solavanco na alma. Odiava. &lt;br /&gt;Conheceu a outra. Assim, sem querer, sem buscar ou se esconder. Viu e gostou. &lt;br /&gt;Gostou do cheiro dos cabelos dela impregnando o ar, sua camisa, seu dia. &lt;br /&gt;Suas palavras irônicas, seu sorriso dissimulado, seus gestos estudados, gostou. &lt;br /&gt;Gostou do sexo elaborado, das inúmeras manchas nos lençóis, do beijo de língua na despedida. &lt;br /&gt;Levou para casa esse novo gostar. &lt;br /&gt;A outra ocupava seus pensamentos, suas horas vagas, suas insônias. &lt;br /&gt;Sentia-se inteiro e inteiro se doava à vida dupla. &lt;br /&gt;Deu-se conta, aos poucos, que o cheiro dos cabelos da esposa, impregnado nos travesseiros, não era ruim. &lt;br /&gt;Botou reparo nos gestos dela, estabanados ou serenos. Gostou. &lt;br /&gt;Gostou do olhar coquete que se insinuava e reclamava amor. &lt;br /&gt;Sentiu desejo. Tomou-a para si no meio da noite. E gostou. &lt;br /&gt;Gostou de todas as marcas deixadas nos lençóis, dos gemidos, dos dentes brancos mordiscando seus lábios. &lt;br /&gt;Do silêncio que se fez, gostou. &lt;br /&gt;Gostou, sobremaneira, das pernas dela sobre as suas e do sono reparador. &lt;br /&gt;Do cheiro do café, da mesa posta, do olhar brejeiro relembrando a noite, gostou. &lt;br /&gt;Gostou do tamborilar dos saltos altos no assoalho. Puxou-a para si. Ela se esquivou apressada. &lt;br /&gt;Levaram para a rua esse novo gostar. &lt;br /&gt;Seguiram em seus carros por ruas serenas e curvas amenas até a bifurcação mais próxima. &lt;br /&gt;Olharam-se enlevados. Acenaram promessas. &lt;br /&gt;Ele alcançou o estacionamento, o escritório, as reuniões. &lt;br /&gt;Suportou a manhã ensolarada, a tarde modorrenta, os telefonemas da outra. &lt;br /&gt;Ansioso, ganhou a rua estreita que se abriu em larga avenida. &lt;br /&gt;O semáforo arregalou seus grandes olhos vermelhos. Ele parou. Ao lado, outro veículo. &lt;br /&gt;Olhou apenas por olhar. Olhou novamente. Engoliu o sorriso. Compreendeu. &lt;br /&gt;Ali estava ela, sua esposa, guardando descuidadamente os gestos de sua vida dupla e restauradora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-8531724649959888134?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/8531724649959888134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=8531724649959888134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8531724649959888134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8531724649959888134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/restauracao.html' title='RESTAURAÇÃO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L1Oj6rRlI/AAAAAAAAAPA/mIzgXgieqJo/s72-c/restaurar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6016245437182761508</id><published>2010-05-06T09:52:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T09:56:13.284-07:00</updated><title type='text'>MADALENA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L0gK6q00I/AAAAAAAAAO4/b-hmG1IuXlU/s1600/madalena.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 342px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L0gK6q00I/AAAAAAAAAO4/b-hmG1IuXlU/s400/madalena.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468201731104625474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Escultura em terracota, Martini Arturo (1889-1947) &lt;br /&gt;“La Prostituta”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentava sessenta anos mal vividos. &lt;br /&gt;Andava pelas ruas, um tanto cambaleante, ainda sorrindo e distribuindo piscadelas. &lt;br /&gt;Usava sempre a mesma saia vermelha, a mesma blusa amarela, o cabelo em total desalinho e o rosto muito pálido, coberto de pó de arroz. &lt;br /&gt;A boca sem dentes, colorida de batom vermelho, era somente uma caricatura do tempo. &lt;br /&gt;Cansada, arriava o peso sobre a calçada, pernas abertas, sem nada a encobrir suas partes que há muito já não eram íntimas. &lt;br /&gt;O suor recente descansava sobre o velho suor. &lt;br /&gt;Tinha sede. Tinha fome. Não mendigava. Seria vergonhoso demais. &lt;br /&gt;Oferecia, então, o corpo macilento em plena luz do dia. &lt;br /&gt;Alguns riam. Outros gargalhavam. &lt;br /&gt;Alguns xingavam. Outros cuspiam. &lt;br /&gt;Alguém denunciava o descaramento da puta. &lt;br /&gt;Vinha a cana dura. Tirava o estorvo das vistas do povo e aplicava-lhe boa sova. De quebra, alguns pontapés. De gorjeta, uns gracejos maldosos. E depois de tudo atiravam-na para a liberdade, no meio da noite, em qualquer beco ou viela. &lt;br /&gt;Assustada, esgueirava-se, escondia-se. Sem lágrimas ou lamentos. Apenas não compreendia. &lt;br /&gt;Houve tempo, lá pelos idos da mocidade, em que todos queriam sua carne tenra. &lt;br /&gt;Alguns pagavam. Outros, não. &lt;br /&gt;Alguns usavam. Outros abusavam. &lt;br /&gt;Foram vários os comerciantes, que por alguns tostões, deixaram em seus lençóis as marcas amareladas dos instintos primitivos. &lt;br /&gt;Foram muitos os homens da lei que se deitaram sobre seu corpo nas noites escuras. &lt;br /&gt;E foram numerosos os poetas que sussurraram belos poemas entre suas pernas macias. &lt;br /&gt;Guardava ainda, na memória apalermada, um certo padre de meia idade, que em altas horas arranhava a sua porta e mordiscava seus peitos, sempre recitando orações e urrando em gozo profundo. &lt;br /&gt;Perdera de vista os comerciantes, os homens da lei, os poetas e o padre. &lt;br /&gt;Somente os vagabundos continuaram a freqüentar seu corpo gasto. &lt;br /&gt;E os bêbados. Trançando as pernas e engrolando palavras pediam ou consentiam uma carícia rápida – às escondidas, nos gramados da praça escura - e jogavam, logo após, algum tostão encontrado nos bolsos quase vazios. &lt;br /&gt;Houve tempo em que ela louvou a vida. Em meio à fartura recordava a infância pobre, os abusos do padrasto, o trabalho escravo na lavoura, o calor torrando os miolos e empolando a sola dos pés descalços. &lt;br /&gt;Houve tempo em que ela amaldiçoou a vida. Em meio às lágrimas, recordava-se da mãe, das súplicas, do rosto contorcido pela dor e do olhar desesperado seguindo seus passos até a última curva da decência. &lt;br /&gt;Houve tempo em que ela até pensou em voltar para o aconchego dos velhos braços. Não se atreveu. &lt;br /&gt;E de passo em passo, deixou de avistar o horizonte. &lt;br /&gt;Enlouqueceu mansamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6016245437182761508?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6016245437182761508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6016245437182761508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6016245437182761508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6016245437182761508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/madalena.html' title='MADALENA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-L0gK6q00I/AAAAAAAAAO4/b-hmG1IuXlU/s72-c/madalena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-292186694816839462</id><published>2010-05-06T09:46:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T09:51:21.718-07:00</updated><title type='text'>O SEGREDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-LzaKg3fsI/AAAAAAAAAOw/kPAnkckFRGo/s1600/segredo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-LzaKg3fsI/AAAAAAAAAOw/kPAnkckFRGo/s400/segredo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468200528405561026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ela parecia completamente feliz naqueles dias. &lt;br /&gt;Os cabelos brancos se mostravam mais sedosos, a pele voltara a ter uma textura macia, e os olhos azuis, tão cansados, brilhavam como se estivessem outra vez apaixonados. &lt;br /&gt;As mãos flutuavam numa dança graciosa ao menor gesto, o corpo gingava suavemente ao caminhar, e os pés, ah, os pés, deslizavam pelo chão sem deixar pegadas, como se pisassem sobre papel de arroz. &lt;br /&gt;Os dias de chuva, frios e escuros, não mais lhe causavam tristeza. Ao contrário, sorria como nunca a tínhamos visto sorrir. Ria gostosamente de tudo e por nada. &lt;br /&gt;O que mais me cobriu de espanto foi quando, sem alarde, ela nos reuniu em volta da mesa de jantar e abriu a sua velha caixa de jóias. &lt;br /&gt;Olhou profundamente para cada um de nós, como se estivesse avaliando os perfis ideais, e em seguida distribuiu diamantes, esmeraldas, rubis, topázios, safiras, turquesas, pérolas e ametistas, seus tesouros incrustados em ouro e prata. &lt;br /&gt;E diante do silêncio que se fez naquele entardecer, ela mais uma vez sorriu. &lt;br /&gt;Retirou da caixa a última peça, um singelo anel de lápis-lazúli e colocou-o no dedo anelar da mão esquerda. &lt;br /&gt;Fechou os olhos e perdeu-se em pensamentos por alguns segundos. Em seguida olhou-nos enternecida e se retirou sem dizer palavra. &lt;br /&gt;Para cada uma das minhas vãs tentativas de aproximação ela tinha um afago, uma conversa amena, um chá perfumado, um bombom delicado. &lt;br /&gt;Às vezes, um convite para um passeio no jardim. &lt;br /&gt;Ela sabia. Eu sabia. Eram subterfúgios para esconder um segredo que não queria ser revelado. &lt;br /&gt;Pensei, maliciosamente, que só poderia ser um bom segredo, afinal ela estava tão feliz! &lt;br /&gt;E deixei de perturbá-la com as minhas preocupações. &lt;br /&gt;Ela que continuasse em seu transe misterioso, acendendo incensos adocicados de jasmim e cultuando seus deuses coloridos. &lt;br /&gt;Ela que continuasse a cometer seus pequenos desatinos, mas que fosse feliz. &lt;br /&gt;E quando recebi o convite para um jantar especial pensei ser apenas mais uma das pequenas e alegres loucuras da velha matriarca. &lt;br /&gt;Foi uma noite perfeita e inesquecível. &lt;br /&gt;Ela usou um vestido azul tão claro quanto seus olhos cansados, e não pude deixar de notar um único adorno: o singelo anel de lápis-lazúli. &lt;br /&gt;Estava exuberante em sua alegria. Distribuiu presentes, sorrisos e afagos por todo o tempo. Sorvia os momentos com avidez. Parecia estar armazenando lembranças. &lt;br /&gt;E ao final da noite despediu-se de todos, um por um, sem pressa, como se aqueles instantes fossem eternos. &lt;br /&gt;Fiquei olhando a sua imagem altiva ao pé da escadaria. Sempre acenando. E assim permaneceu até que o último carro desaparecesse nos confins da alameda. &lt;br /&gt;Nunca mais foi vista. &lt;br /&gt;Buscas exaustivas foram feitas por muito tempo. &lt;br /&gt;Em vão. &lt;br /&gt;Desapareceu sem deixar rastros. Nem rumores. &lt;br /&gt;Em meus sonhos, ainda passeamos pelo jardim. &lt;br /&gt;E quando lhe pergunto sobre o segredo, ela não mais oferece resistência. &lt;br /&gt;Sorri e me responde: &lt;br /&gt;- Estou onde não existe ilusão. Somente a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-292186694816839462?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/292186694816839462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=292186694816839462' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/292186694816839462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/292186694816839462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2010/05/o-segredo.html' title='O SEGREDO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/S-LzaKg3fsI/AAAAAAAAAOw/kPAnkckFRGo/s72-c/segredo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-3864100754415001890</id><published>2009-09-09T11:35:00.001-07:00</published><updated>2009-09-09T11:38:25.188-07:00</updated><title type='text'>O SILÊNCIO INCOMODA?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1gv-JHII/AAAAAAAAAOo/axYSRfskZvs/s1600-h/roda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1gv-JHII/AAAAAAAAAOo/axYSRfskZvs/s400/roda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379538222899076226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;No silêncio, &lt;br /&gt;redenção da minha alma,  &lt;br /&gt;encontro o caminho de volta.         &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;                       &lt;br /&gt;                                                                            &lt;br /&gt;O ponto alto de Rapsódia em Agosto, filme do diretor Akira Kurosawa, foi o desempenho impecável e doce da atriz Sachico Murase, interpretando Vovó Kane.&lt;br /&gt;Numa cena entre tantas cenas belíssimas, Vovó Kane recebe a visita de uma velha amiga.&lt;br /&gt;Durante horas a fio elas permanecem em silêncio. As palavras são desnecessárias.&lt;br /&gt;E a cena encantadora me levou de volta ao passado, quando recebíamos, em casa, a visita do compadre japonês.&lt;br /&gt;Corre-corre. Agitação. Todos a postos para receber a visita especial.&lt;br /&gt;E o compadre, tão simpático, vinha do sítio, trazendo duas enormes cestas de vime transbordando de uvas “Itália” dulcíssimas, poncãs imensas e saborosas, verduras e legumes fresquinhos e doces japoneses. Era um presente para os amigos da cidade. Uma lindeza!&lt;br /&gt;Cumprimentava, entregava a cesta e sentava-se no sofá.&lt;br /&gt;Cruzava os braços atrás da cabeça, estampava um largo sorriso no rosto e assim permanecia, por algumas horas, sem dizer palavra.&lt;br /&gt;Os pobres ocidentais, meus pais, falavam sobre o tempo, chove não chove, sobre o plantio de soja, trigo, feijão, arroz,  tremoço, milho, tomate, jiló e o escambau.&lt;br /&gt;Falavam sobre a pesca das tilápias, piaparas, pacus, jurupocas, piracanjubas, piaus flamengos e piaus de três pintas.&lt;br /&gt;Perguntavam pela comadre e pelos filhos, um a um, para não faltar assunto.&lt;br /&gt;Uma hora depois, meus pobres pais estavam com a garganta seca de tanto tagarelar sobre temas diversos, e o compadre, refestelado no sofá, sorria e ria, concordando ou discordando com um movimento calmo de cabeça. Nada mais.&lt;br /&gt;Um lanche farto era servido. Costume da casa. O compadre comia em silêncio, olhando para um e para outro, sempre sorrindo.&lt;br /&gt;Após a refeição, os ocidentais, meus pais, vasculhavam o cérebro em busca de mais algumas toneladas de frases  para preencher a quietude perturbadora.&lt;br /&gt;E ao final da tarde, o compadre batia as mãos nas coxas, levantava-se do sofá, agradecia a hospitalidade e partia.&lt;br /&gt;Portas fechadas, o silêncio navegava à deriva pela casa, sem forças para romper a exaustão provocada pelo tsunami de palavras.&lt;br /&gt;Eu era uma criança naquele tempo, e, no entanto, já compreendia o pavor que a maioria das pessoas sente diante do silêncio. &lt;br /&gt;Vida a fora, ganhei terrores e preenchi, de forma aflitiva, preciosos momentos de silêncio com palavras banais e sem sentido.&lt;br /&gt;Demorei a compreender a amplitude do silêncio e sua força.&lt;br /&gt;Vovó Kane sabia que na quietude dos dizeres compreendemos verdades e mentiras.&lt;br /&gt;O compadre japonês sabia que os maiores diálogos são travados na mais profunda calmaria, de alma para alma, sem a necessidade das palavras.&lt;br /&gt;E hoje eu sei, que somente no silêncio, posso escutar a música da qual sou feita e sentir o coração do universo pulsando dentro do meu próprio coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-3864100754415001890?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/3864100754415001890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=3864100754415001890' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/3864100754415001890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/3864100754415001890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/09/o-silencio-incomoda.html' title='O SILÊNCIO INCOMODA?'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1gv-JHII/AAAAAAAAAOo/axYSRfskZvs/s72-c/roda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-969670513696489565</id><published>2009-09-09T11:23:00.001-07:00</published><updated>2009-09-09T11:25:01.269-07:00</updated><title type='text'>PROSPERIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfytaXhkFI/AAAAAAAAAOY/pIq53J9422E/s1600-h/igreja.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfytaXhkFI/AAAAAAAAAOY/pIq53J9422E/s400/igreja.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379535141903372370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Aqui ele não entra!&lt;br /&gt;O grito enérgico e cheio de ódio ecoou pelo adro da igreja e o cortejo fúnebre estacou atônito.&lt;br /&gt;Os homens depositaram o caixão sobre os paralelepípedos, tiraram seus chapéus, limparam o suor com os lenços muito brancos e ficaram esperando a próxima cena.&lt;br /&gt;A viúva, Dona Marocas, era conhecida por possuir língua afiada, mas anestesiada pelo sofrimento, apenas olhou o pároco com desdém e perguntou: &lt;br /&gt;- Não entra por que?&lt;br /&gt;- Ele é um suicida! Na minha igreja não tem lugar para covardes! &lt;br /&gt;- Padre! Meu Joaquim era um bom homem e muito católico. Deu dinheiro às pencas para a sua igreja. Freqüentou todas as missas. E agora, quando ele mais precisa das suas orações e do perdão de Deus o senhor lhe vira as costas? Que tipo de religião é esta, afinal? &lt;br /&gt;- Dona Marocas! O seu marido não pensou nas leis de Deus quando tirou a própria vida. Não tem perdão. Tirem logo este pecador da frente da minha igreja!&lt;br /&gt;O burburinho era medonho. &lt;br /&gt;Os filhos e amigos do Joaquim contavam uma multidão aflita.&lt;br /&gt;Os curiosos, de passagem ou não, olhavam consternados ou divertidos. &lt;br /&gt;E o padre, parecendo ter sofrido uma ofensa pessoal, deu a ordem final.&lt;br /&gt;- Fora daqui com este pecador!&lt;br /&gt;De dentro da algazarra surgiu Afrânio, político influente na região. &lt;br /&gt;Sorriso amplo e gestos largos, ele não perderia a chance memorável de angariar votos e popularidade. &lt;br /&gt;- Padre! Um momento, por favor! Podemos conversar?&lt;br /&gt;O pároco, sagaz e malicioso, assentiu com um gesto de cabeça e indicou o interior da igreja.&lt;br /&gt;E alguns minutos depois, o coroinha abriu as grandes portas do templo, e o cortejo fúnebre pôde finalmente entrar.&lt;br /&gt;O representante de Deus estava no altar, paramentado com as roupas adequadas para a ocasião. Ao seu lado estava Afrânio, o representante do povo, ar compenetrado, muito sério e pronto para receber os agradecimentos e os votos nas próximas eleições. &lt;br /&gt;O sermão medonho, cheio de labaredas e cheiro de enxofre, deixou a multidão indignada.&lt;br /&gt;Dona Marocas pediu perdão a Deus pelo desejo intenso de pisotear o padre até à morte.&lt;br /&gt;E não se contendo, deu uma cusparada no chão brilhoso e imaculado.&lt;br /&gt;O padre quis interromper a oração, mas o olhar de Afrânio fez com que ele fingisse ignorar o gesto da viúva.&lt;br /&gt;Terminada a cerimônia fúnebre, Dona Marocas se levantou, muito abatida, e dirigiu-se lentamente em direção ao político.&lt;br /&gt;- Obrigada, Afrânio. Joaquim era muito religioso, você sabe. Seria uma grande tristeza para ele não receber a benção de Deus.&lt;br /&gt;- Foi um prazer poder ajudar, Dona Marocas.&lt;br /&gt;- Obrigada, mais uma vez. E quanto ao senhor, padre, que Deus tenha piedade da sua alma! &lt;br /&gt;O pároco enrijeceu ainda mais a fisionomia e o ódio minou por todos os seus poros, mas ficou em silêncio. &lt;br /&gt;Seis meses se passaram.&lt;br /&gt;A igreja sorri envaidecida. Está mais bela que nunca. Totalmente restaurada, muito branca, abriga imagens de todos os santos, verdadeiras antiguidades.&lt;br /&gt;E ao lado, na casa paroquial, um padre bem nutrido, exibe, sem o menor pudor, a barriga saliente da prosperidade.&lt;br /&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-969670513696489565?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/969670513696489565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=969670513696489565' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/969670513696489565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/969670513696489565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/09/prosperidade.html' title='PROSPERIDADE'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfytaXhkFI/AAAAAAAAAOY/pIq53J9422E/s72-c/igreja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-490437276995711637</id><published>2009-09-09T11:21:00.001-07:00</published><updated>2009-09-09T12:47:34.039-07:00</updated><title type='text'>O CIRCO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfyTM8C3QI/AAAAAAAAAOQ/Lkfnigm9B_0/s1600-h/o+circo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 255px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfyTM8C3QI/AAAAAAAAAOQ/Lkfnigm9B_0/s400/o+circo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379534691621854466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma agitação surgiu na entrada do lugarejo e seguiu pelas ruas, feito procissão da Virgem Maria.&lt;br /&gt;- É o circo! Chegou!&lt;br /&gt;Veio cheio de pompa, tentando mostrar uma imponência que só causava furor naquela cidade minúscula e pobre do interior.&lt;br /&gt;As crianças corriam atrás dos caminhões cheios de tranqueiras toscas gritando pontos de exclamação. Estavam recepcionando os reis do riso com os seus melhores sorrisos.&lt;br /&gt;Enfim, o circo começou a tomar forma.&lt;br /&gt;A ferragem ficou em pé, e, sobre ela, a grande lona cheia de furos se deitou.  &lt;br /&gt;O chão de terra, coberto de pó de serra, encheu-se de estrelas em pleno meio dia.&lt;br /&gt;A pobreza, aos poucos, delineava as cores desbotadas do circo, a magreza dos palhaços e as formas nada exuberantes das mulheres.&lt;br /&gt;A intensa atividade era seguida de muito perto pelos olhos curiosos e ansiosos dos meninos e das meninas.&lt;br /&gt;- Não mexe aí, moleque!&lt;br /&gt;E o palhaço, vestido de gente, dava uma carreira no guri que espiava muito mais do que podia.&lt;br /&gt;Os martelos socavam pregos e dedos.&lt;br /&gt;As arquibancadas se amontoavam umas sobre as outras e quase caíam no colo do picadeiro. &lt;br /&gt;Mas a noite prometia alegria. &lt;br /&gt;Heleninha, muito tímida em seus dez anos, a tudo observava, de longe.&lt;br /&gt;A realidade, a partir daquele momento, cedeu lugar à fantasia, transformando o cotidiano sofrido dos artistas circenses em exuberante aventura.&lt;br /&gt;As roupas surradas se tornaram ouro sobre azul e os trailers mancos, tendas douradas num oásis. E até o insosso macarrão adquiriu sabor de saciedade e aconchego.&lt;br /&gt;Seu pequeno coração, iniciando a jornada da adolescência, disparou e quase parou diante dos olhos verdes do galã.&lt;br /&gt;Heleninha perdeu a fala nos confins da timidez e o rubor cobriu-lhe o rosto denunciando pensamentos.&lt;br /&gt;Correu para casa, tropeçando na vontade de fazer parte daquele universo sem fronteiras.&lt;br /&gt;Estava apaixonada.&lt;br /&gt;Fechou-se em seu quarto visualizando o amor e a felicidade.&lt;br /&gt;Quando o dia amanheceu, Heleninha voltou ao circo. &lt;br /&gt;Queria ver o rei em seu habitat natural. E logo ele apareceu, vestido em roupa tresnoitada, a cara remelenta de sono, mas encantador. &lt;br /&gt;- Você já assistiu ao espetáculo?&lt;br /&gt;A voz da menina tremeu na garganta, arrastou-se numa longa e penosa viagem e quando atingiu o ar, nada mais era que um silêncio absoluto.&lt;br /&gt;Voltou para casa, levando no coração apaixonado mais um item perfeito para a sua ilusão: a voz  do galã.&lt;br /&gt;Perdeu a noção do tempo e em sua inocência de menina acreditava que o circo ficaria, para sempre, plantado naquela cidade esquecida por Deus.&lt;br /&gt;Foi com espanto e dor que numa manhã qualquer, enxergou o grande espaço vazio, onde somente algumas galinhas ciscavam num resto de pó de serra. &lt;br /&gt;O rei tinha ido embora. O castelo sumira como por encanto.&lt;br /&gt;Heleninha seguiu para casa, pálida e triste, como uma viúva de pouco tempo.&lt;br /&gt;Fechou-se mais uma vez em seu quarto e as lágrimas molharam a realidade crua da sua primeira decepção.&lt;br /&gt;Mas amargura de gente pequena não tem consistência e sobrevive por um período tão curto que mal dá tempo de sofrer. &lt;br /&gt;A vontade de seguir com o circo, para onde quer que ele fosse, desapareceu assim que um novo filme de amor estreou no cinema. &lt;br /&gt;“Dio come ti amo!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-490437276995711637?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/490437276995711637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=490437276995711637' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/490437276995711637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/490437276995711637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/09/o-circo.html' title='O CIRCO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SqfyTM8C3QI/AAAAAAAAAOQ/Lkfnigm9B_0/s72-c/o+circo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-7923463395086821035</id><published>2009-08-11T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T12:42:45.305-07:00</updated><title type='text'>HAICAIS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;NAS HORAS TARDIAS&lt;br /&gt;UIVOS DE LOBOS ECOAM.&lt;br /&gt;CORDEIROS VIGIAM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO ALTO DA TORRE&lt;br /&gt;UMA CORUJA ESPREITA:&lt;br /&gt;PRELÚDIO MORTAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SAPO DO BREJO,&lt;br /&gt;EM POSE DE MAJESTADE,&lt;br /&gt;ENGOLE OS TOLOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IV&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BEBEM SEIVA RUBRA&lt;br /&gt;OS VAMPIROS AMORAIS.&lt;br /&gt;DEFECAM DECRETOS.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-7923463395086821035?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/7923463395086821035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=7923463395086821035' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7923463395086821035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7923463395086821035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/haicais_11.html' title='HAICAIS'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-8570517364251219839</id><published>2009-08-11T12:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T12:28:09.127-07:00</updated><title type='text'>Sentença irrevogável</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHF13FojtI/AAAAAAAAAOI/XxpPjau_h-A/s1600-h/as+velas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 253px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHF13FojtI/AAAAAAAAAOI/XxpPjau_h-A/s400/as+velas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368789759913660114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A chuva castiga o asfalto.&lt;br /&gt;O carro veloz finge não se dar conta do perigo.&lt;br /&gt;Desliza de encontro ao imprevisto.&lt;br /&gt;E tudo acontece rapidamente.&lt;br /&gt;O cavalo emerge das brumas. Um baque. E a escuridão engole a vida.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;- Que frio! Que frio terrível! &lt;br /&gt;O frio adormece num sono sem cores.&lt;br /&gt;Um solavanco desperta a calmaria. &lt;br /&gt;E ligeiras recordações vêm à tona: a velocidade, o medo, o nada.&lt;br /&gt;- O que está acontecendo? Está escuro aqui. Que lugar é esse? &lt;br /&gt;A grande gaveta abre-se para a claridade.&lt;br /&gt;- Onde estou?&lt;br /&gt;Ninguém responde.&lt;br /&gt;O cheiro de sangue é enjoativo. As náuseas alcançam a garganta.&lt;br /&gt;Os pedaços, unidos por um resquício de pele, são acomodados na maca muito fria.&lt;br /&gt;Remendos na cara, remendos nas mãos, remendos por tudo.&lt;br /&gt;A dor parece não ter fim.&lt;br /&gt;O terno preto e elegante veste o corpo em farrapos.&lt;br /&gt;- Esqueceram os sapatos. Os sapatos! Onde estão os sapatos?&lt;br /&gt;Nova gaveta. Tão macia. Um pouco de conforto e calor, finalmente.&lt;br /&gt;Mas as flores incomodam. Têm cheiro de defunto.&lt;br /&gt;As vozes cochicham e se lamentam.&lt;br /&gt;- De quê? De que se lamentam?&lt;br /&gt;Os soluços da Ana são inconfundíveis. E o choro dos meninos também.&lt;br /&gt;Até o Paulão está chorando. Dá pra ouvir. &lt;br /&gt;- Grande amigo, o Carlos. Vai fazer muita falta!&lt;br /&gt;- Falta? Por que? Estou aqui, pessoal! O que está acontecendo?&lt;br /&gt;Rostos tristes passam pelo morto ignorando o seu espanto.&lt;br /&gt;A tentativa de um grito engasga na impotência.&lt;br /&gt;Um último olhar é a despedida, seguida pela escuridão.&lt;br /&gt;- Abram! Abram! Quero sair daqui! Socorro!&lt;br /&gt;Um baque surdo no concreto.&lt;br /&gt;Mais um movimento para a direita.&lt;br /&gt;Os sons metálicos das pás cimentam a vida.&lt;br /&gt;E os derradeiros ruídos vão embora.&lt;br /&gt;Restam os vermes famintos.&lt;br /&gt;O corpo estremece diante da compreensão.&lt;br /&gt;E o desespero urra diante do irrevogável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-8570517364251219839?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/8570517364251219839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=8570517364251219839' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8570517364251219839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8570517364251219839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/sentenca-irrevogavel.html' title='Sentença irrevogável'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHF13FojtI/AAAAAAAAAOI/XxpPjau_h-A/s72-c/as+velas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-2976969915298950963</id><published>2009-08-11T12:03:00.001-07:00</published><updated>2009-08-12T06:56:57.904-07:00</updated><title type='text'>Notícias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHAkNL-M0I/AAAAAAAAAOA/6AIC9HjJf1k/s1600-h/carta+noticias.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 329px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHAkNL-M0I/AAAAAAAAAOA/6AIC9HjJf1k/s400/carta+noticias.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368783959050040130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Do fundo de uma serenidade moldada pelo tempo, ela ouviu o interfone chamar estridente.&lt;br /&gt;Caminhou sem pressa, pois há muito deixara de correr por coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Os braços faziam um movimento pendular, tranqüilo, acompanhando o gingado da alma, finalmente em paz.&lt;br /&gt;A campainha esbaforida gritou mais uma vez, numa urgência inexplicável, sem que com isso, os passos se apertassem em ansiedade ou mesmo excitação.&lt;br /&gt;No portão, uma sombra irrequieta anunciava o homem da correspondência em sua bicicleta azul e amarela.&lt;br /&gt;A carta estendida na mão agitava-se demonstrando pressa. &lt;br /&gt;E ela ponderou, do alto da sua calma, o quanto ele ainda precisava aprender sobre esperas.&lt;br /&gt;O envelope deslizou pelas grades do portão, foi pinçado por seus dedos pálidos, que se tornaram, de repente, muito mais pálidos. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;A letra. Meu Deus! Sim, era a mesma letra. Há quanto tempo!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fechou os olhos e apertou o remetente de encontro ao peito arquejante, como se fosse um abraço, uma explicação, um regresso.&lt;br /&gt;As nuvens encobriram o sol. &lt;br /&gt;A tarde, o carteiro e a bicicleta se tornaram sombras somente.&lt;br /&gt;E a vida, ah, a vida! Deu meia volta ao passado, encolheu-se numa dor conhecida, assustando a calmaria, afastando a prudência e deixando vir ao mundo, novamente, palavras de amor há muito esquecidas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto tempo!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A letra regular mantinha o mesmo ritmo cadenciado do machado que sangra e abate a árvore, golpe por golpe.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que diria ele depois de um tempo quase infinito?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Abraçou a carta uma vez mais. &lt;br /&gt;E permaneceu, por momentos intermináveis, acariciando a incerteza.&lt;br /&gt;Vivenciou a saudade imensurável, as preces ignoradas, a espera dilacerante. &lt;br /&gt;Deixou-se inundar por silêncios. Aquietou-se e sorriu. &lt;br /&gt;Rasgou o envelope em minúsculos pedaços, e espiou, aturdida e alegre, a chuva de papéis picados que caíam pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-2976969915298950963?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/2976969915298950963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=2976969915298950963' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/2976969915298950963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/2976969915298950963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/noticias.html' title='Notícias'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SoHAkNL-M0I/AAAAAAAAAOA/6AIC9HjJf1k/s72-c/carta+noticias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6715829931256457032</id><published>2009-08-07T07:32:00.001-07:00</published><updated>2009-08-07T07:34:05.686-07:00</updated><title type='text'>NA JANELA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Snw7K4n50RI/AAAAAAAAAN4/TI3VGVrcbCA/s1600-h/janela+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 303px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Snw7K4n50RI/AAAAAAAAAN4/TI3VGVrcbCA/s400/janela+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367229914103271698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lindalva passava os dias com os cotovelos fincados no parapeito da janela.&lt;br /&gt;E antes que o sol, ainda cheio de preguiça, despontasse no horizonte, ela já sentia na pele o seu tépido calor.&lt;br /&gt;Sorria.&lt;br /&gt;Ouvia os passos rápidos do Joaquim em direção à quitanda.&lt;br /&gt;Ouvia os passos lentos da Ernestina em direção à igreja.&lt;br /&gt;Escutava a algazarra da criançada indo para a escola.&lt;br /&gt;Os cães vadios perambulavam pelas calçadas e remexiam lixeiras.&lt;br /&gt;E sem fazer qualquer esforço ela percebia, lá muito longe, o sacolejar da carroça do Orlando.&lt;br /&gt;Sabia que os cavalos estavam velhos e cansados, pois, volta e meia, tropeçavam nos paralelepípedos fugindo ao compasso do chicote.&lt;br /&gt;Ouvia a Madalena cantarolar suas modinhas antigas num lamento de fazer dó. &lt;br /&gt;Conhecia a todos, um por um.&lt;br /&gt;Sabia das suas dores, alegrias e esperanças.&lt;br /&gt;Sabia de todas as doenças, de todas as mortes e nascimentos. &lt;br /&gt;Parecia controlar o destino daquela gente que desfilava diante da sua janela.&lt;br /&gt;- Lindalva! Ô, Lindalva! Vem ajudar aqui, criatura!&lt;br /&gt;- Tô indo, mãe!&lt;br /&gt;E por alguns instantes a moça desaparecia.&lt;br /&gt;Voltava esbaforida, pouco tempo depois, como se lhe faltasse o ar, como se lhe faltasse o chão, como se lhe roubassem pedaços de vida. &lt;br /&gt;E os pobres cotovelos se acocoravam no parapeito da janela sem outra escolha que não fosse aquela.&lt;br /&gt;A bicicleta do Jorge passava chispando. Ele precisava entregar as compras feitas no mercado. E a entrega era grande. O rapazola suava e pedalava rumo à casa da Filomena.&lt;br /&gt;Por certo ela daria um grande jantar naquela noite. Diziam que sabia dar festas como ninguém.&lt;br /&gt;Lindalva sentiu a boca se encher de água ao imaginar a leitoa assada, a pururuca crocante por sobre o lombo da porca, o arroz soltinho e muito branco. Imaginou o sabor dos vinhos, tão perfumados! Delícias que nunca faziam parte da sua mesa.&lt;br /&gt;E o dia prosseguia a jornada rotineira, sem sustos, quase sem surpresas.&lt;br /&gt;Dona Ernestina voltou da igreja. Estava mais leve. Deixara os pecados aos pés de Nossa Senhora.&lt;br /&gt;As crianças, em bandos, retornavam da escola.&lt;br /&gt;E o cheiro de água de colônia voejou pelo ar quando Jeová parou em frente ao portão e ficou a olhar para a moça da janela.&lt;br /&gt;- Olá, moça bonita! &lt;br /&gt;Moço perfumado, esse Jeová. Advogado. Paixão recolhida de Lindalva, que suspirava e corava ante a saudação do rapaz.&lt;br /&gt;A tarde quente mostrou Ana e Maria, as gêmeas solteironas.&lt;br /&gt;Trouxe por aquelas bandas o vendedor de vassouras e a sua cantilena sempre igual.&lt;br /&gt;- Olha a vassoura! Vassoura! Olha a vassoura! &lt;br /&gt;Mostrou o carteiro e o vendedor de alho.&lt;br /&gt;E o sol, cansado, bocejou e sumiu lentamente nos confins do mundo.&lt;br /&gt;- Lindalva! Ô, criatura! Tá anoitecendo! Fecha essa janela!&lt;br /&gt;- Já vou! Já vou!&lt;br /&gt;Mas a moça bonita não foi. &lt;br /&gt;Queria sentir a brisa cálida roçando em seu corpo quando a lua despontasse no céu.  Queria ouvir os murmúrios de amor que ecoariam noite adentro.  Queria imaginar o céu apinhado de estrelas.&lt;br /&gt;Ah, as estrelas! Como deveriam ser belas as estrelas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6715829931256457032?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6715829931256457032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6715829931256457032' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6715829931256457032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6715829931256457032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/na-janela.html' title='NA JANELA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Snw7K4n50RI/AAAAAAAAAN4/TI3VGVrcbCA/s72-c/janela+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-8275426234205400683</id><published>2009-08-07T06:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T11:34:31.911-07:00</updated><title type='text'>PÁTRIA AMADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1K_d5DSI/AAAAAAAAAOg/NkspEUE_F2c/s1600-h/por+do+sol+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1K_d5DSI/AAAAAAAAAOg/NkspEUE_F2c/s400/por+do+sol+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379537849101651234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Onde estaria seu erro, ou quem sabe, seu pecado?&lt;br /&gt;Não conseguira se apaixonar pela vida. Bem que tentara. &lt;br /&gt;Não fora possível cravar raízes no solo. &lt;br /&gt;E mesmo parindo seu próprio chão, ainda assim era vento, era tempestade, sem nunca voltar à calmaria.&lt;br /&gt;Desejava que os dias se esgotassem ligeiros para reencontrar o velho caminho de casa.&lt;br /&gt;Expatriada, banida de seus legítimos ideais, sobrevivera aos dias banais e sem sentido.&lt;br /&gt;Poucos sabiam. Talvez entendessem. Ficavam calados.&lt;br /&gt;Muitos não compreendiam. Enxergavam a pele risonha, somente a superfície.&lt;br /&gt;Poucos ou muitos, ninguém teve dela a verdadeira essência.&lt;br /&gt;Viveu, esperneou, sobreviveu. Acalmou-se.&lt;br /&gt;Não acreditava em rupturas. &lt;br /&gt;Poucos diziam que romper os  laços com a vida era coragem.&lt;br /&gt;Outros diziam que apertar esses laços, isso sim, era valentia.&lt;br /&gt;Ela apenas sorria aquele riso indecifrável e se deixava ficar um pouco mais.&lt;br /&gt;Viveria para olhar o mar e suas ondas indecisas que sempre iam para lugar nenhum e voltavam sem ter partido.&lt;br /&gt;Desnudaria os pés para sentir a textura da terra árida esperando por melhores dias.&lt;br /&gt;Assistiria ao nascimento e à morte do sol em agonia diária e sem fim.&lt;br /&gt;Sim. Ela ficaria um pouco mais. &lt;br /&gt;Talvez, em meio aos dias, surgisse uma noite que despertasse nela a verdadeira razão para partir.&lt;br /&gt;Ou quem sabe, em meio às noites, surgisse um dia que produzisse a ambição de querer ficar!&lt;br /&gt;Que o tempo a arrastasse por caminhos diversos e a amarrotasse de rugas! &lt;br /&gt;Mas que gritasse aos quatro cantos: &lt;br /&gt;- Não houve erro! Não houve pecado! &lt;br /&gt;Ela teria esboçado um sorriso feliz.&lt;br /&gt;Todos teriam compreendido, enfim, os seus motivos ou a falta deles, o ranger de dentes e a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-8275426234205400683?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/8275426234205400683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=8275426234205400683' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8275426234205400683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/8275426234205400683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/patria-amada.html' title='PÁTRIA AMADA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sqf1K_d5DSI/AAAAAAAAAOg/NkspEUE_F2c/s72-c/por+do+sol+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-2963102181769397724</id><published>2009-08-07T05:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T06:34:35.601-07:00</updated><title type='text'>VEZ OU OUTRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SnwlqJnPcpI/AAAAAAAAANo/pxip3B9fFXg/s1600-h/sol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 278px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SnwlqJnPcpI/AAAAAAAAANo/pxip3B9fFXg/s400/sol.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367206261984031378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra ela pensa na morte. &lt;br /&gt;Ora próxima, ora distante.&lt;br /&gt;Durante um último sonho ao amanhecer.&lt;br /&gt;Durante um ataque de tosse na madrugada.&lt;br /&gt;Ou durante um momento de amor ao entardecer.&lt;br /&gt;No entanto, não tem pressa nem curiosidade. &lt;br /&gt;Não faz questão de ir. Muito menos ficar.&lt;br /&gt;Vive o presente. Um dia de cada vez. &lt;br /&gt;Mais que um dia seria desastroso. Inatingível.&lt;br /&gt;Avistou a fome intensa na barriga dos miseráveis.&lt;br /&gt;Avistou o abandono nos olhos tristes dos inocentes.&lt;br /&gt;Avistou todas as tragédias nos dias magros dessa pobre vida.&lt;br /&gt;Na alma nenhum espaço restou para a esperança.&lt;br /&gt;Entretanto tem ainda um desejo.&lt;br /&gt;Se escolha houvesse gostaria de morrer num dia ensolarado.&lt;br /&gt;Morreria serenamente no meio da rua, cercada de pessoas apressadas que, vencidas pela curiosidade, adiariam suas atividades inúteis para escutar a voz do silêncio. &lt;br /&gt;A morte inundaria o asfalto e a indignação tomaria conta do burburinho. &lt;br /&gt;- Morreu? &lt;br /&gt;- Que desaforada! Ousou morrer sem motivo!&lt;br /&gt;Chamariam os policiais. E os jornalistas esbaforidos também viriam para documentar tamanho disparate. &lt;br /&gt;E ela, deitada para sempre, estaria rindo da miséria humana, finalmente liberta dos dias mesquinhos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-2963102181769397724?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/2963102181769397724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=2963102181769397724' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/2963102181769397724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/2963102181769397724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/vez-ou-outra.html' title='VEZ OU OUTRA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SnwlqJnPcpI/AAAAAAAAANo/pxip3B9fFXg/s72-c/sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-5881357525833413502</id><published>2009-08-07T05:49:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T05:57:56.714-07:00</updated><title type='text'>HAICAIS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;PEDAÇOS DE CÉU&lt;br /&gt;NO BALANÇAR DESSA REDE&lt;br /&gt;PAIOL ESTELAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS VENTOS DE JUNHO&lt;br /&gt;CINGEM AS FOLHAS CANSADAS&lt;br /&gt;AVES OUTONAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM RISCO NO CÉU&lt;br /&gt;A ESTRELA SE DESFAZ&lt;br /&gt;NUM SONHO SUTIL&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-5881357525833413502?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/5881357525833413502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=5881357525833413502' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5881357525833413502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5881357525833413502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/08/haicais.html' title='HAICAIS'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6989308276735136459</id><published>2009-07-20T13:39:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T13:44:30.645-07:00</updated><title type='text'>Mágicas sombras! Sussurram respostas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTXJawNiEI/AAAAAAAAAM8/yF76NZySjrc/s1600-h/sombras+a+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTXJawNiEI/AAAAAAAAAM8/yF76NZySjrc/s400/sombras+a+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360646013278062658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6989308276735136459?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6989308276735136459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6989308276735136459' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6989308276735136459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6989308276735136459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/magicas-sombras-sussurram-respostas.html' title='Mágicas sombras! Sussurram respostas.'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTXJawNiEI/AAAAAAAAAM8/yF76NZySjrc/s72-c/sombras+a+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6381331048088758467</id><published>2009-07-20T13:30:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T13:36:52.817-07:00</updated><title type='text'>Seguir é preciso. Perder-se é imprescindível.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTVOwoNa_I/AAAAAAAAAM0/kP2hQ9cXyoU/s1600-h/trilhos+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTVOwoNa_I/AAAAAAAAAM0/kP2hQ9cXyoU/s400/trilhos+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360643906026171378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6381331048088758467?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6381331048088758467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6381331048088758467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6381331048088758467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6381331048088758467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/seguir-e-preciso-perder-se-e.html' title='Seguir é preciso. Perder-se é imprescindível.'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTVOwoNa_I/AAAAAAAAAM0/kP2hQ9cXyoU/s72-c/trilhos+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1725318265634773356</id><published>2009-07-20T13:28:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T13:30:35.667-07:00</updated><title type='text'>Patriotismo, ainda que e apesar de!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTT5KeoKmI/AAAAAAAAAMs/a5oEHDPs8no/s1600-h/patriotismo+ainda+e+apesar+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTT5KeoKmI/AAAAAAAAAMs/a5oEHDPs8no/s400/patriotismo+ainda+e+apesar+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360642435496553058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1725318265634773356?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1725318265634773356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1725318265634773356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1725318265634773356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1725318265634773356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/patriotismo-ainda-que-e-apesar-de.html' title='Patriotismo, ainda que e apesar de!'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SmTT5KeoKmI/AAAAAAAAAMs/a5oEHDPs8no/s72-c/patriotismo+ainda+e+apesar+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1912825021732983417</id><published>2009-07-09T07:45:00.001-07:00</published><updated>2009-07-09T07:46:41.451-07:00</updated><title type='text'>O sábio interior</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlYCrGjJ0pI/AAAAAAAAAME/TI6xJm-hjNU/s1600-h/sabio+interior+imagem.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlYCrGjJ0pI/AAAAAAAAAME/TI6xJm-hjNU/s400/sabio+interior+imagem.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356471746319471250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1912825021732983417?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1912825021732983417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1912825021732983417' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1912825021732983417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1912825021732983417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/o-sabio-interior.html' title='O sábio interior'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlYCrGjJ0pI/AAAAAAAAAME/TI6xJm-hjNU/s72-c/sabio+interior+imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1774326850040716279</id><published>2009-07-09T07:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T09:39:24.995-07:00</updated><title type='text'>Entardecer</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX9AlzLQSI/AAAAAAAAAL8/eBgykctzmy4/s1600-h/reflexo+da+lua+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 355px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX9AlzLQSI/AAAAAAAAAL8/eBgykctzmy4/s400/reflexo+da+lua+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356465518415659298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sob a luz do dia mirava o vai e vem das ondas.&lt;br /&gt;Não sentia solidão e não queria outra vida.&lt;br /&gt;Bastavam a visão do mar, o barulho das gaivotas, o cheiro de maresia.&lt;br /&gt;Bastavam a visão do horizonte, a areia sob os pés, a espera, o reencontro.&lt;br /&gt;E ao entardecer ele vinha, dourado como o sol, singrando as águas, percorrendo estradas conhecidas, tal e qual um deus.&lt;br /&gt;Saltava sobre as pequenas ondas, trazia o barco para a segurança e sorria.&lt;br /&gt;Estava em casa.&lt;br /&gt;E sob a luz da lua eles se amavam.&lt;br /&gt;Adormeciam saciados, braços e pernas enroscados e trançados como as redes do pescador.&lt;br /&gt;Não queriam outra vida.&lt;br /&gt;Bastava o dia, bastava a noite, bastava o mar.&lt;br /&gt;Bastavam-se.&lt;br /&gt;O sol novamente vinha ao mundo e o pequeno barco retornava ao oceano.&lt;br /&gt;Vez por outra ela mergulhava nas águas e ganhava o mar profundo.&lt;br /&gt;Voltava lentamente, não tinha pressa. O entardecer estava distante.&lt;br /&gt;Percorria a praia, sorria para as crianças e fincava os olhos no horizonte.&lt;br /&gt;Acompanhava o cansaço do sol e sua morte nos despenhadeiros do mar.&lt;br /&gt;Avistava o barquinho, sumindo e reaparecendo ao sabor das ondas, abarrotado de peixes, trazendo o deus que era a razão da sua idolatria.&lt;br /&gt;Naquela noite, mais uma vez, adormeceram abraçados.&lt;br /&gt;As estrelas, incrustadas nas frestas do telhado de palha, embalaram os sonhos de amor.&lt;br /&gt;E quando a noite se fez dia, novamente a pequena embarcação singrou os mares, gingando e sumindo nas águas do mar.&lt;br /&gt;O entardecer se fez presente ansiando pelo reencontro.&lt;br /&gt;Uma estrela saudou a noite.&lt;br /&gt;Mais uma estrela apareceu.&lt;br /&gt;E todas as estrelas cobriram o céu.&lt;br /&gt;Ela ficou em silêncio, escutando a voz da brisa e o lamento do mar.&lt;br /&gt;Entendeu.&lt;br /&gt;Não mais enxergou o vai e vem das ondas, não escutou o barulho das gaivotas, não sentiu o cheiro de maresia.&lt;br /&gt;Compreendeu a solidão e desistiu da espera.&lt;br /&gt;Mergulhou a saudade nas águas profundas e nadou em direção aos despenhadeiros do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1774326850040716279?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1774326850040716279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1774326850040716279' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1774326850040716279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1774326850040716279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/entardecer.html' title='Entardecer'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX9AlzLQSI/AAAAAAAAAL8/eBgykctzmy4/s72-c/reflexo+da+lua+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6849282208968480951</id><published>2009-07-09T06:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T07:48:29.339-07:00</updated><title type='text'>Alegria cansada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX13uVLNVI/AAAAAAAAAL0/PcykiMjJ3I8/s1600-h/alegria+cansada.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX13uVLNVI/AAAAAAAAAL0/PcykiMjJ3I8/s400/alegria+cansada.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356457669505529170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6849282208968480951?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6849282208968480951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6849282208968480951' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6849282208968480951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6849282208968480951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/07/alegria-cansada_09.html' title='Alegria cansada'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlX13uVLNVI/AAAAAAAAAL0/PcykiMjJ3I8/s72-c/alegria+cansada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6568583178921202261</id><published>2009-06-25T18:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T11:07:13.829-07:00</updated><title type='text'>AQUELA MULHER</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkQtGLuiBNI/AAAAAAAAALk/cThXt_t_KYM/s1600-h/veu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkQtGLuiBNI/AAAAAAAAALk/cThXt_t_KYM/s400/veu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351451841473414354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher caminhando pelas ruas dava-me a sensação de desconsolo.&lt;br /&gt;Seus passos, apesar de firmes, tinham um quê de tristeza, talvez desespero.&lt;br /&gt;E não pude deixar de segui-la.  &lt;br /&gt;Rua após rua, eu quase pisava em seus calcanhares.&lt;br /&gt;Quarteirão após quarteirão, nossas sombras quase se confundiam.&lt;br /&gt;O que ela carregava no peito que me afligia sobremaneira?&lt;br /&gt;Que dor ela acalentava dentro d´alma que machucava a minha própria alma?&lt;br /&gt;Ela seguia muito rápido, quase correndo. &lt;br /&gt;Tropeçou, quase caiu.&lt;br /&gt;Amparei-a com as minhas mãos.&lt;br /&gt;Senti a textura dos seus braços.&lt;br /&gt;Não pude ver-lhe o rosto.&lt;br /&gt;Soltou-se de mim e fugiu.&lt;br /&gt;Corri em seu encalço. Não podia perde-la. Não podia!&lt;br /&gt;Antes perder a minha própria vida!&lt;br /&gt;Estava sendo arrastada pela correnteza da insensatez, nas esteiras do inverossímil.&lt;br /&gt;E não tinha como retroceder. Nem desejava.&lt;br /&gt;Aquela mulher parou diante do bosque frio e nebuloso.&lt;br /&gt;Ofegante, aproximei-me lentamente.&lt;br /&gt;O véu que lhe encobria a face voou nos braços do vento e eu pude ver o que tanto perseguira.&lt;br /&gt;Olhos nos olhos, o espanto tomou-me a fisionomia e chorei.&lt;br /&gt;Chorei pelos dias desperdiçados e pelos gestos incompletos.&lt;br /&gt;Pelas lágrimas reprimidas, pelos sorrisos amordaçados.&lt;br /&gt;Pelos amores mal resolvidos, pelas dores dissimuladas.&lt;br /&gt;Chorei.&lt;br /&gt;E ali estava ela, a mulher, imóvel e triste.&lt;br /&gt;Lançou sobre a vida um último suspiro, envolveu-me com um derradeiro olhar e desapareceu nas garras do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6568583178921202261?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6568583178921202261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6568583178921202261' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6568583178921202261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6568583178921202261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/06/aquela-mulher.html' title='AQUELA MULHER'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkQtGLuiBNI/AAAAAAAAALk/cThXt_t_KYM/s72-c/veu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6905020075500754554</id><published>2009-06-25T15:05:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T15:07:04.052-07:00</updated><title type='text'>TECENDO A VIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkP089q1YuI/AAAAAAAAALU/E2fNrfGZFi8/s1600-h/teia+ao+entardecer.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 308px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkP089q1YuI/AAAAAAAAALU/E2fNrfGZFi8/s400/teia+ao+entardecer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351390110429831906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Veio de algum espaço, passou por outro, esbarrou em algum trecho, aportou por aqui e não sabe ainda se fica ou se vai, se volta ou continua, nesse caminhar que não tem fim.&lt;br /&gt;Mas por ora permanece, se estabelece, sem pensar no amanhã e no que será ou não será.&lt;br /&gt;Somos todos assim, apenas turistas, ou nômades, ou quem sabe extra-terrestres!&lt;br /&gt;Procedemos de algum lugar e agora estamos juntos, reunidos num mesmo tempo, desenvolvendo um trabalho, uma amizade, uma intriga, ódios, promessas e até mesmo um desencontro absoluto e absurdo pelas ruas.&lt;br /&gt;Cada um de nós tem uma estória, um berço, lembranças próprias e, talvez, saudades.&lt;br /&gt;Cada um de nós tem um desempenho, uma luta, pensamentos próprios e, talvez, esperanças.&lt;br /&gt;É mesmo uma grande teia, tecida pelo acaso, produzindo bordados de dor ou enigmas de amor.&lt;br /&gt;Gente colorida, quem sabe idealista, que sorri, que batalha e que nem sempre vence nesse período que corre ao invés de andar. &lt;br /&gt;Gente desbotada, a cara cruzada, os braços fechados, espectros desse tempo, indiferente tempo que continua a correr, arrastando os indecisos e competindo com os lutadores, talvez gladiadores. &lt;br /&gt;Uma belíssima teia, cheia de riscos e traços, lucros e prejuízos, que com o passar da vida se transforma numa obra de arte que poucos entendem.&lt;br /&gt;Um abstrato, uma miscelânea de gente, uma confusão de valores.&lt;br /&gt;Teia de vida, teia de gente, sempre uma trama assustadora, atraente, inebriante, um desafio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6905020075500754554?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6905020075500754554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6905020075500754554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6905020075500754554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6905020075500754554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/06/tecendo-vida.html' title='TECENDO A VIDA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkP089q1YuI/AAAAAAAAALU/E2fNrfGZFi8/s72-c/teia+ao+entardecer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-6007866529836048251</id><published>2009-06-25T14:56:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T18:15:35.510-07:00</updated><title type='text'>COMPASSO DE ESPERA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPzQpKNfWI/AAAAAAAAALM/-aekk_1vQyg/s1600-h/compasso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPzQpKNfWI/AAAAAAAAALM/-aekk_1vQyg/s400/compasso.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351388249498418530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos guardava, a sete chaves, os jogos de chá e café. &lt;br /&gt;Guardava-os para que pudessem ser usados numa ocasião única, absolutamente única e feliz.&lt;br /&gt;A porcelana exibia flores exóticas plantadas num solo escuro, e dois frisos dourados completavam a sofisticação das peças.&lt;br /&gt;Seis xícaras de chá. Seis xícaras de café. Imaculadas. Intactas. Preservadas de mãos embrutecidas ou pequenas mãos descuidadas.&lt;br /&gt;E ano após ano, perfazendo o total de trinta anos, lá estavam os jogos, envoltos em teias de aranhas e esquecimento.&lt;br /&gt;Numa constatação amarga percebeu que guardava as xícaras da mesma forma como guardava seus dias - suspensos num compasso de espera por momentos especiais - momentos que não chegariam nunca, atrelados que estavam ao amanhã. &lt;br /&gt;Vivia entre dois gumes – passado e futuro – e ali, ajoelhada ao lado da porcelana,  percebeu que um deles estava morto e o outro, numa gestação infinita.&lt;br /&gt;Lembrou-se de todas as vezes que adiara a felicidade alegando estar ocupada - tão ocupada que não dispunha de tempo para uma brincadeira, um abraço, uma canção, um descanso.&lt;br /&gt;Dobrou-se em dores da alma. Lágrimas abundantes arranharam a poeira das xícaras.&lt;br /&gt;Chorou. Seus mortos idolatrados reviraram-se nas covas, assustados. Não os queria de volta.&lt;br /&gt;Chorou. Seus vivos esquecidos, finalmente lembrados, esboçavam espasmos de alegria.&lt;br /&gt;Decidiu. Os dias seriam vividos em pequenos instantes de sol ou de chuva. &lt;br /&gt;Instituiu o momento presente como único patrimônio concreto e possível.&lt;br /&gt;Deixou que a dor amainasse, que as lágrimas secassem, que o sorriso brotasse.&lt;br /&gt;Estendeu sobre a mesa uma toalha branca, ricamente bordada e ainda cheirando a guardado.&lt;br /&gt;Bolos, pães, frios de vários tipos, geléias, manteiga, chá e café povoaram a mesa.&lt;br /&gt;Bateu palmas, feliz. &lt;br /&gt;Sabia quantos dias vivera. Ignorava quantos mais viriam. &lt;br /&gt;Um ou dois, três ou muitos, todos eles seriam únicos.&lt;br /&gt;Sentou-se pela primeira vez à cabeceira da mesa, lugar de honra, seu lugar.&lt;br /&gt;Serviu-se de chá. Serviu-se de café. Serviu-se de contentamento. &lt;br /&gt;E esperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-6007866529836048251?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/6007866529836048251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=6007866529836048251' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6007866529836048251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/6007866529836048251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/06/compasso-de-espera.html' title='COMPASSO DE ESPERA'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPzQpKNfWI/AAAAAAAAALM/-aekk_1vQyg/s72-c/compasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-219695147842161970</id><published>2009-05-29T04:41:00.001-07:00</published><updated>2009-05-29T04:46:25.721-07:00</updated><title type='text'>MELODIAS EM UNÍSSONO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_KKDwTwvI/AAAAAAAAAK0/JxeEmzSvNL8/s1600-h/canavial.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_KKDwTwvI/AAAAAAAAAK0/JxeEmzSvNL8/s400/canavial.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341209957240128242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O vento corre pelo canavial provocando um ruído muito parecido com chuva.&lt;br /&gt;Olho para a folhagem verde que se agita sob a ventania e desejo sentir felicidade.&lt;br /&gt;É bom estar aqui, na quietude do campo, embora o silêncio traga desassossego à minha alma tão acostumada ao movimento frenético da cidade.&lt;br /&gt;As lembranças chegam e se deitam aos meus pés criando uma atmosfera irreal, onde passado e presente cantam em uníssono a melodia das horas.&lt;br /&gt;Onde estão todos eles?&lt;br /&gt;Vejo, por entre as brumas do tempo, minha avó sorrindo e chamando para o almoço.&lt;br /&gt;Sinto o cheiro do carneiro assado, do arroz de visita, muito branco e brilhante.&lt;br /&gt;Ouço as risadas da família. E naquele momento tudo é contentamento dentro da casa em festa.&lt;br /&gt;O mugido do gado, atrás da mata, espanta as suaves visões e reforça a sensação de nostalgia.&lt;br /&gt;Os avós não mais fazem parte da vida.&lt;br /&gt;Seguiram serenamente o ritmo do desgaste e partiram.&lt;br /&gt;Sinto uma vontade dolorida de abraçar minha avó. &lt;br /&gt;Somente agora estou pronta para entender a grandiosidade dos seus gestos e das suas poucas falas.&lt;br /&gt;O desencontro natural das gerações impossibilitou as longas conversas que teriam facilitado escolhas.&lt;br /&gt;Mas é inútil querer segurar o tempo que desliza através das noites e traz mais um dia, mais um dia, mais um dia...&lt;br /&gt;Aqui, neste pedaço de terra vermelha, meus passos se confundem com os passos da avó.&lt;br /&gt;E admirada percebo que meus temores são os mesmos temores que habitaram o coração daquela mulher. &lt;br /&gt;Minhas alegrias, tão tenras, apenas pequenos instantes de prazer, são as mesmas alegrias da grande mãe, que nunca chegaram a se tornar felicidade.&lt;br /&gt;Constato que a vida é curta e que as preocupações são tolas, pois o destino segue inexorável.&lt;br /&gt;Sinto saudade do tempo que se foi.&lt;br /&gt;Ouço a voz da minha avó, da minha mãe, das tias e a minha própria voz cantando baixinho a canção que soluça em meio à saudade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Lampião de gás,  lampião de gás,  quanta saudade você me traz”. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Entôo a música vezes sem fim e derramo o choro da criança que habita meu corpo de mulher.&lt;br /&gt;Vejo o entardecer caminhar pelo céu e pincelar de vermelho o horizonte.&lt;br /&gt;Enxergo a primeira estrela e os primeiros vagalumes.&lt;br /&gt;Penetro na escuridão da noite e reverencio a lua.&lt;br /&gt;Risco, no imaginário, um grande círculo e chamo por elas.&lt;br /&gt;Uma a uma, de todos os cantos do tempo, as mulheres da família retornam e tomam seus lugares na roda.&lt;br /&gt;E cantamos, em uníssono, a melodia do único reencontro possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-219695147842161970?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/219695147842161970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=219695147842161970' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/219695147842161970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/219695147842161970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/05/melodias-em-unissono.html' title='MELODIAS EM UNÍSSONO'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_KKDwTwvI/AAAAAAAAAK0/JxeEmzSvNL8/s72-c/canavial.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1849947437671514949</id><published>2009-05-29T04:36:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T04:40:08.686-07:00</updated><title type='text'>ALMAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_JCZi6AzI/AAAAAAAAAKs/4iHjs6GtWo4/s1600-h/colibri.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_JCZi6AzI/AAAAAAAAAKs/4iHjs6GtWo4/s400/colibri.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341208726138913586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eram almas, sim, eram almas.&lt;br /&gt;Roçavam em meu corpo como vento frio de inverno&lt;br /&gt;e meus pelos se eriçavam&lt;br /&gt;e uma lambada de fogo corria garganta abaixo.&lt;br /&gt;Dançavam ao som de muitos lamentos&lt;br /&gt;seus próprios lamentos&lt;br /&gt;e as lágrimas subiam aos céus &lt;br /&gt;parecendo neblina pronta a desandar em garoa &lt;br /&gt;ou preces.&lt;br /&gt;E todas as noites elas vinham &lt;br /&gt;cada uma de um canto qualquer&lt;br /&gt;uma pequena multidão quase transparente.&lt;br /&gt;Chamavam por mim.&lt;br /&gt;Eu fingia não ouvir&lt;br /&gt;não sentir&lt;br /&gt;não querer.&lt;br /&gt;Mas elas chamavam, chamavam por mim.&lt;br /&gt;E no jardim, por entre as árvores, esperavam.&lt;br /&gt;Perdiam-se em meio ao branco dos pequenos jasmins &lt;br /&gt;e reapareciam sobre o gramado muito verde&lt;br /&gt;parecendo brincar.&lt;br /&gt;Nutriam-se do perfume das flores &lt;br /&gt;tão brancas &lt;br /&gt;irmãs da mesma cor.&lt;br /&gt;Acostumei-me à dança&lt;br /&gt;aos lamentos&lt;br /&gt;à presença.&lt;br /&gt;Não mais podia viver sem as almas.&lt;br /&gt;E quando elas se foram, eu chamei, supliquei, implorei. &lt;br /&gt;Entre garoas e preces, misturei-me aos jasmins &lt;br /&gt;e esperei.&lt;br /&gt;Por quantos dias, não sei.&lt;br /&gt;Mas compreendi.&lt;br /&gt;Eram almas, sim, eram almas!&lt;br /&gt;Pequenas almas muito brancas.&lt;br /&gt;Almas de colibris. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1849947437671514949?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1849947437671514949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1849947437671514949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1849947437671514949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1849947437671514949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/05/almas.html' title='ALMAS'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_JCZi6AzI/AAAAAAAAAKs/4iHjs6GtWo4/s72-c/colibri.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-3782138598613172450</id><published>2009-05-29T03:56:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T04:40:57.572-07:00</updated><title type='text'>Visão pseudo-poética de uma dona de casa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_H3RceBYI/AAAAAAAAAKk/1-UuKQljlOY/s1600-h/faxina.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 382px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_H3RceBYI/AAAAAAAAAKk/1-UuKQljlOY/s400/faxina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341207435474240898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Immondezza &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brotas do nada como se fosses erva daninha. &lt;br /&gt;E te ergues numa nuvem de pretensiosos fragmentos buscando a liberdade. &lt;br /&gt;Não permitirei! &lt;br /&gt;Seremos escravos e senhores, sem seqüência, sem coerência. &lt;br /&gt;Dançarás acorrentada ao ritmo dos ventos, pairando eternamente no meio do caminho. &lt;br /&gt;Não morrerás, eu sei. &lt;br /&gt;Não me matarás, tu sabes. &lt;br /&gt;No entanto, não viveremos. &lt;br /&gt;Sobreviveremos, apenas. &lt;br /&gt;Tu, aos pedaços, nos cantos obscuros. &lt;br /&gt;Eu, aos trancos, nessa luta sem fim. &lt;br /&gt;Sconfinata immondezza!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mein liebe küche &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me olhas envergonhada como se pedisses desculpas. &lt;br /&gt;E embora sabendo que não tens culpa de nada, dou as costas ao teu constrangimento fingindo indiferença. &lt;br /&gt;O desânimo toma conta dos meus dias nesses dias nada pródigos e fujo das tuas cores e dos teus odores como vampiro apavorado diante da luz do sol. &lt;br /&gt;Um resto de lucidez me aborda e retorno para junto de ti. Inevitável. &lt;br /&gt;Deixo que a água escorra e suavize tuas superfícies, teus lados côncavos e convexos, tuas pontas e teus disparates. &lt;br /&gt;Separo tuas partes em mil partes indistintas e ensebadas numa divertida esquizofrenia. &lt;br /&gt;Fricciono tuas opacidades até que se tornem transparências. &lt;br /&gt;E ao final, quando penso que é o final, tu me mostras ainda uma minúscula colher de chá incrustada no ralo encardido e para sempre maculado. &lt;br /&gt;Te encontras agora num estado de suficiente graça, apta para mais um banquete ou simplesmente pronta para o vai e vem dos pequenos goles de café ou de água. &lt;br /&gt;E eu, envolta num halo de pseudo- ingenuidade, me afasto de ti com ares de adeus, de “au revoir”, de “sayonara” e mais definitivo que nunca “auf wiedersehen mein liebe küche”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-3782138598613172450?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/3782138598613172450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=3782138598613172450' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/3782138598613172450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/3782138598613172450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/05/visao-pseudo-poetica-de-uma-dona-de.html' title='Visão pseudo-poética de uma dona de casa'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sh_H3RceBYI/AAAAAAAAAKk/1-UuKQljlOY/s72-c/faxina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-5279791027263573767</id><published>2009-05-04T06:00:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T06:04:57.227-07:00</updated><title type='text'>Rosas Vermelhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7n2l4O02I/AAAAAAAAAKU/WqbrrTi2hhw/s1600-h/rosa+vermelha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 274px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7n2l4O02I/AAAAAAAAAKU/WqbrrTi2hhw/s400/rosa+vermelha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331953933920162658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A rosa vermelha e o sorriso cativante foram entregues ao final do dia.&lt;br /&gt;Amélia, olhos baixos, fez um muxoxo de menina e tentou alongar a mágoa. &lt;br /&gt;Encarou o riso inocente e esqueceu as palavras rudes da noite anterior. &lt;br /&gt;A rosa era tão linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas rosas vermelhas foram entregues no início da noite por um sorriso suplicante.&lt;br /&gt;Amélia exibia um pequeno corte na boca. Derramou soluços incontidos e mais algumas lágrimas.&lt;br /&gt;Olhou as rosas. Sorriu tristemente. Desculpou a ressaca matinal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três rosas vermelhas foram entregues, quando duas ou três estrelas salpicavam o pedaço de céu que se condensava diante da janela.&lt;br /&gt;Amélia, deitada na cama, invadida por todas as dores, relutava em perdoar. &lt;br /&gt;O sorriso dele, quase paternal, delineava motivos e a absolvição das culpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro rosas vermelhas foram entregues quando a madrugada cobria a cidade.&lt;br /&gt;Amélia, amontoada no chão, ainda recolhia os cacos do próprio corpo.&lt;br /&gt;O  riso infantil implorava por perdão e afagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco rosas vermelhas foram entregues, quatro ou cinco dias depois, por um par de olhos desesperados.&lt;br /&gt;Amélia, de malas prontas, queria ir, queria ficar. &lt;br /&gt;As marcas arroxeadas e a pele costurada começavam a ganhar tons suaves.&lt;br /&gt;E suaves ficaram as dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis rosas vermelhas foram entregues por um sorriso impessoal. &lt;br /&gt;Amélia, agasalhada por outras tantas flores e pelo brilho das velas, não pôde ver nem perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-5279791027263573767?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/5279791027263573767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=5279791027263573767' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5279791027263573767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/5279791027263573767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/05/rosas-vermelhas.html' title='Rosas Vermelhas'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7n2l4O02I/AAAAAAAAAKU/WqbrrTi2hhw/s72-c/rosa+vermelha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-9192497323200017039</id><published>2009-05-04T05:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T05:59:57.127-07:00</updated><title type='text'>Dualidade incontestável</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7mm3iSPjI/AAAAAAAAAKM/WCG3hGPgWCs/s1600-h/lua+marca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 314px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7mm3iSPjI/AAAAAAAAAKM/WCG3hGPgWCs/s400/lua+marca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331952564270415410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não, não! Não é invencionice do povo, não! &lt;br /&gt;Aconteceu e eu vi. Por muitos dias eu vi. Até que sumiu sem aviso e sem explicação.&lt;br /&gt;O dia estava indeciso. &lt;br /&gt;Ora escancarava sorrisos bonachões, daqueles que empurram a molecada para o campinho de futebol, para as pipas no alto da colina, para as bolinhas de gude no chão de terra batida. Ora se fechava em carrancas, amontoava nuvens, trovões e faíscas que riscavam o céu da pequena cidade, fazendo aparecer nas vidraças olhares preocupados e narizes achatados pela curiosidade.&lt;br /&gt;E na indecisão o dia permaneceu até ser empurrado para as trincheiras da escuridão por uma noite límpida, possuída pelo luar da cheia.&lt;br /&gt;E ela, a lua, imensa e sinistra, gemia dolorosamente, se contorcendo e girando em seu próprio eixo, escancarando olhos e boca como se buscasse fôlego para suportar tamanha dor.&lt;br /&gt;Velhos, moços e crianças, todos eles aparvalhados, se amontoaram na praça sem saber o que esperar do momento inusitado. Tremiam.&lt;br /&gt;Abandonaram projetos, o jantar sobre a mesa, a roupa no varal. &lt;br /&gt;Interromperam carícias, discussões e lamentos. &lt;br /&gt;Engoliram indagações. &lt;br /&gt;E calaram as palavras, todas elas.&lt;br /&gt;Pés fincados no solo, olhos pregados no céu, assim ficaram, madrugada adentro, espreitando o silêncio da noite e os uivos da lua.&lt;br /&gt;Por várias vezes chuviscos pegajosos caíram sobre os bancos da praça, sobre a grama viçosa, sobre os cabelos de toda gente.&lt;br /&gt;Era ela, a lua, fazendo jorrar seus suores gelados sobre o mundo.&lt;br /&gt;Em seguida, aquietava-se num descanso mais parecido com o sono da morte.&lt;br /&gt;Intercalou sofrimento e calmaria por horas a fio. &lt;br /&gt;Agitou-se na dualidade própria da sua face plena, deixando transbordar serenidade e mistério.&lt;br /&gt;Inesperadamente, agigantou-se em vermelho sangue e urrou em desespero. &lt;br /&gt;Por segundos, minutos ou horas, ninguém soube dizer, o grito agudo ecoou pelos ares, enregelando almas do mal e do bem.&lt;br /&gt;E pariu um silêncio inquietante.&lt;br /&gt;Ela, a lua, endireitou-se sobre o próprio eixo. Ainda trêmula, sorriu.&lt;br /&gt;Afagou suas crias, duas novas luas, filhas legítimas da sua dualidade incontestável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-9192497323200017039?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/9192497323200017039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=9192497323200017039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/9192497323200017039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/9192497323200017039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/05/dualidade-incontestavel.html' title='Dualidade incontestável'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/Sf7mm3iSPjI/AAAAAAAAAKM/WCG3hGPgWCs/s72-c/lua+marca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-4231545138274598101</id><published>2009-04-03T14:05:00.000-07:00</published><updated>2009-04-03T14:09:38.510-07:00</updated><title type='text'>A metamorfose do tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SdZ6lML3DaI/AAAAAAAAAJ8/-Pjlw9N8j5s/s1600-h/metamorfose.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SdZ6lML3DaI/AAAAAAAAAJ8/-Pjlw9N8j5s/s400/metamorfose.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320574789129538978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A marca de cigarros ainda é a mesma, destrutiva e agradável.&lt;br /&gt;Alguns quilos a mais. Inevitável&lt;br /&gt;Também inevitáveis as rugas que apareceram nos cantos do sorriso, nas frestas do olhar, nas quinas da emoção.&lt;br /&gt;A ansiedade arrastou para muito longe o sono ininterrupto e sereno.&lt;br /&gt;Vez por outra ainda me reconheço como se fora um reencontro, um sonho, uma lembrança.&lt;br /&gt;Momentos fugazes. Fogem num piscar de olhos cedendo lugar ao realismo.&lt;br /&gt;Não se trata de amargura.&lt;br /&gt;É o vento carregando, para além da fantasia, os amuletos da sorte, as guerras inúteis, as palavras delirantes, as promessas descabidas.&lt;br /&gt;Trata-se da compreensão de muitos fatos, da estruturação dos projetos e dos desejos possíveis.&lt;br /&gt;Trata-se do cultivo do amor sem sustos, do sexo elaborado e prazeroso, da troca de olhares que substituem dizeres.&lt;br /&gt;É a vida dosando passos e ambições.&lt;br /&gt;Dentro do único tempo que possuo estudo a bondade esporádica, mas legítima, a culpa sem remorsos e faço escolhas menos mirabolantes.&lt;br /&gt;Percebo as nuances dos jogos com mais clareza e tento blefar um pouco menos.&lt;br /&gt;Talvez, num dia de chuva, eu deixe o cigarro na gaveta e visite velhos lugares.&lt;br /&gt;Talvez, num dia de sol, eu possa falar sobre velhas mágoas.&lt;br /&gt;E quem sabe, num dia qualquer, eu perceba que rancores antigos deixaram de ser rancores.&lt;br /&gt;Pode ser que numa segunda-feira, entre tantas, eu resolva alongar o corpo e suavizar as rugas, descortinar a alma, sem receio, distribuir plácidas essências.&lt;br /&gt;Pode ser que numa determinada noite, olhando o céu e suas estrelas, eu possa compreender as impossibilidades, aceitar o imponderável e avistar novamente a fantasia.&lt;br /&gt;Talvez seja este o reencontro esperado – corpo e alma, solo e semente, razão e emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-4231545138274598101?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/4231545138274598101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=4231545138274598101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4231545138274598101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4231545138274598101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2009/04/metamorfose-do-tempo.html' title='A metamorfose do tempo'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SdZ6lML3DaI/AAAAAAAAAJ8/-Pjlw9N8j5s/s72-c/metamorfose.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-4121842676401607476</id><published>2008-10-15T14:50:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T14:53:42.489-07:00</updated><title type='text'>Estrelas mortas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SPZmSGAf5ZI/AAAAAAAAAGE/fgJ1XJOvVVw/s1600-h/estrelas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SPZmSGAf5ZI/AAAAAAAAAGE/fgJ1XJOvVVw/s400/estrelas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257502076038014354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu queria muito, queria tanto, mas ele não acreditou.&lt;br /&gt;Ficava olhando de longe, desconfiado, cheio de reservas e medos.&lt;br /&gt;Eu queria, mas nunca pude dizer.&lt;br /&gt;E eu me cansei de tentar.&lt;br /&gt;E quando eu me cansei, depois de longo tempo, ele simplesmente balançou a cabeça, para um lado e para o outro, para cima e para baixo, e não disse nada. &lt;br /&gt;Ele poderia ter dito apenas que o dia estava lindo, inadequado para uma despedida.&lt;br /&gt;Ou que o céu desabaria em chuva nos próximos segundos, que eu esperasse um pouco mais.&lt;br /&gt;Isto teria sido suficiente para que meus pés se aquietassem e minha alma transbordasse de esperança.&lt;br /&gt;Mas ele não disse nada.&lt;br /&gt;Houve dias em que ele sorriu.&lt;br /&gt;Ele nem sabia que sorria e nem compreendia que estava feliz.&lt;br /&gt;Houve um momento, apenas um instante, em que ele segurou meu braço, num quase abraço, apontou a noite e falou sobre as estrelas mortas.&lt;br /&gt;Em seguida, sua voz se calou, seu sorriso morreu e ele se afastou de mim.&lt;br /&gt;Ele não sabia. Ou se sabia, não entendia, ou se entendia, fazia que não compreendia.&lt;br /&gt;Houve um dia, e foi somente um dia, em que as suas mãos estiveram entre as minhas e me pediram para que eu nunca fosse embora.&lt;br /&gt;Apenas esbarraram nas minhas, em sobressalto, para em seguida, fugirem assustadas diante de tamanho desvario.&lt;br /&gt;E seus olhos escuros ficaram ainda mais escuros, ainda mais indiferentes, ainda mais distantes.&lt;br /&gt;Eu tentei. &lt;br /&gt;E quando disse que estava desistindo, ele perguntou fingindo inocência:&lt;br /&gt;- Desistindo de que?&lt;br /&gt;Não pude dizer que desistia de um único afago ou de todos eles.&lt;br /&gt;Ele não compreenderia.&lt;br /&gt;Não pude dizer que desistia de um único sonho ou de todos eles.&lt;br /&gt;Ele não entenderia.&lt;br /&gt;Olhei uma vez mais para a escuridão daquele olhar.&lt;br /&gt;E uma vez mais esperei por um pedido, por um pequeno gesto, por um sussurro.&lt;br /&gt;Ele caminhou em direção aos velhos livros, às velhas histórias e às estrelas mortas. &lt;br /&gt;Passou o dedo sobre antigas poeiras inofensivas, desenhou estrelas e traçou rotas inatingíveis no pó, e me esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-4121842676401607476?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/4121842676401607476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=4121842676401607476' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4121842676401607476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4121842676401607476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/10/estrelas-mortas.html' title='Estrelas mortas'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SPZmSGAf5ZI/AAAAAAAAAGE/fgJ1XJOvVVw/s72-c/estrelas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-4870260592253744939</id><published>2008-10-02T09:51:00.001-07:00</published><updated>2008-10-02T09:52:34.872-07:00</updated><title type='text'>FEBRE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SOT8LbKdw_I/AAAAAAAAAF0/h7ZyYlXV3iA/s1600-h/c.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SOT8LbKdw_I/AAAAAAAAAF0/h7ZyYlXV3iA/s400/c.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252600338621252594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O igarapé de águas mansas serpenteava lentamente em direção ao grande rio.&lt;br /&gt;O silêncio era trincado, vez por outra, pelo burburinho das aves que passavam em pequenos bandos.&lt;br /&gt;Ou então, pela brisa quase imperceptível que bolinava a penugem da mata.&lt;br /&gt;E por ela.&lt;br /&gt;O frescor do riacho não acalmava o calor que queimava superfícies e entranhas.&lt;br /&gt;Era desejo atroz fincado no ventre contraído.&lt;br /&gt;Ereta e silenciosa, ela olhava o horizonte estreito à procura de uma embarcação, um canoeiro, qualquer um, mas que viesse.&lt;br /&gt;Em vão.&lt;br /&gt;Mergulhou corpo e vontade no igarapé.&lt;br /&gt;Deslizou pelas águas. &lt;br /&gt;À Iara implorou um pouco de quietude para tanto desassossego.&lt;br /&gt;Em vão.&lt;br /&gt;Arrastou a febre para a margem e deitou-se na relva.&lt;br /&gt;Fez do céu azul e da terra pálida amantes e cúmplices dos seus pecados.&lt;br /&gt;E, escancarando as coxas morenas, mostrou-lhes a umidade densa que gotejava incansavelmente sobre o solo.&lt;br /&gt;O céu desabou sobre ela sugando orvalho e desejo.&lt;br /&gt;Os gemidos se transformaram em uivos, em pranto, em soluços.&lt;br /&gt;Arranhou a terra, fez-lhe vergões profundos e sentiu seu gosto lúbrico.&lt;br /&gt;E os dedos macios penetraram o rio caudaloso, num vai e vem demorado.&lt;br /&gt;Colou os olhos ávidos na amplitude do céu azul.&lt;br /&gt;E num grito rouco pariu o prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-4870260592253744939?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/4870260592253744939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=4870260592253744939' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4870260592253744939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/4870260592253744939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/10/febre_02.html' title='FEBRE'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SOT8LbKdw_I/AAAAAAAAAF0/h7ZyYlXV3iA/s72-c/c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1002669496860729721</id><published>2008-08-05T05:26:00.001-07:00</published><updated>2008-08-05T05:27:30.895-07:00</updated><title type='text'>A queda</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhHE4h5Z3I/AAAAAAAAAFc/df_EBDrKzJY/s1600-h/velas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhHE4h5Z3I/AAAAAAAAAFc/df_EBDrKzJY/s400/velas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231009116410439538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A rua conserva o seu habitual movimento.&lt;br /&gt;Os carros lutam contra motocicletas e bicicletas.&lt;br /&gt;As carroças deixam rastros de merda pelo chão.&lt;br /&gt;E os pedestres desviam de tudo, na tentativa de alcançar o outro lado da segurança.&lt;br /&gt;Um baque surdo, mais pressentido que ouvido, macula a manhã de sol e agita a curiosidade de todos. &lt;br /&gt;Um corpo despencou das alturas. Espatifou-se na calçada, manchando o concreto de vermelho e deixando no ar um imenso ponto de interrogação.&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;Dane-se o porquê! O motivo é irrelevante diante do fato consumado.&lt;br /&gt;O morto está estendido no chão. E ponto final!&lt;br /&gt;No entanto, por mais que o susto insista em colocar um fim nas indagações, ainda assim formulamos inúmeras conjecturas para justificar o fato.&lt;br /&gt;Vivemos sobre um fiapo de existência que a cada segundo se faz mais teso, e o espaço entre a sanidade e a loucura tornou-se pequeno demais. Ora estamos sorrindo, ora tomados pela fúria. E com a mesma mão que acariciamos, somos capazes de empunhar uma faca e cravá-la no peito mais próximo.&lt;br /&gt;Quem somos nós? E de quem é o cadáver, afinal?&lt;br /&gt;Um grupo grande se forma ao redor do morto que ainda se encontra exposto à curiosidade.&lt;br /&gt;Estamos todos apalermados diante do silêncio.&lt;br /&gt;E mais uma vez o porquê vem à tona, incomodando e ferindo a nossa consciência.&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;Elementar, meus caros! Somos o cadáver estendido no chão e a sua queda simboliza a nossa própria queda. Ele levou consigo, para onde quer que tenha ido, pedaços de alma, arrancados de todos nós.&lt;br /&gt;Estamos interligados e não nos damos conta.&lt;br /&gt;Olhem!&lt;br /&gt;Olhem muito bem!&lt;br /&gt;Na calçada, ao redor do cadáver, pedaços da nossa própria carne decoram o chão, descorando ainda mais a esperança de uma vida melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1002669496860729721?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1002669496860729721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1002669496860729721' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1002669496860729721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1002669496860729721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/08/queda.html' title='A queda'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhHE4h5Z3I/AAAAAAAAAFc/df_EBDrKzJY/s72-c/velas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-7286750635302309743</id><published>2008-08-05T05:06:00.000-07:00</published><updated>2008-08-05T09:09:47.888-07:00</updated><title type='text'>Dia de chuva</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhGAa_qmkI/AAAAAAAAAFU/ZHj_Ld0a610/s1600-h/chuva.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhGAa_qmkI/AAAAAAAAAFU/ZHj_Ld0a610/s400/chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231007940251130434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes olhos, que já não eram tão grandes, fitaram o rosto muito sério que quase transbordava espelho afora.&lt;br /&gt;Avistaram mais uma ruga, mais um risco, mais uma cicatriz do tempo.&lt;br /&gt;E a boca pálida fez um muxoxo cheio de desdém e desgosto.&lt;br /&gt;Aquela mulher estava beirando os cinqüenta anos.&lt;br /&gt;Apontava o dedo indicador para o rosto estampado no espelho e dizia num tom jocoso e baixo:&lt;br /&gt;- Quase meio século, minha senhora! Que vida de merda! Nascemos idiotas. Crescemos. Amadurecemos. Para que? Para nos tornarmos novamente idiotas.&lt;br /&gt;Fazia o comentário ácido apenas para si mesma, afinal, não havia necessidade alguma de alardear o azedume e muito menos a idade.&lt;br /&gt;O tempo prometia chuva e parecia muito empenhado em cumprir a ameaça sombria.&lt;br /&gt;Mas era somente um dia entre tantos passados e vividos. Outros mais viriam trazendo perguntas sem respostas e respostas sem perguntas. &lt;br /&gt;Que viessem!&lt;br /&gt;Espiou a garoa. Sentiu o vento que já se tornava frio. Não gostava dos dias frios. &lt;br /&gt;Esfregou as mãos na ânsia de espantar os fantasmas e aquecer a alma.&lt;br /&gt;Andou de um lado para o outro. Não tinha muito por onde perambular. &lt;br /&gt;Em dias assim, feios como filhotes de coruja, o pequeno apartamento tornava-se menor, mais escuro que noite sem lua, mais sufocante que corda no pescoço.&lt;br /&gt;Sentou-se no sofá e ficou olhando as cortinas brancas que se insinuavam para a janela e para os ventos.&lt;br /&gt;Pareciam almas penadas ensaiando uma dança de adeus.&lt;br /&gt;Que fossem todas embora! As almas e as cortinas.&lt;br /&gt;Hoje é somente um dia sombrio com cheiro de inverno.&lt;br /&gt;Amanhã será outro tempo, outro clima, outra estória.&lt;br /&gt;O sol aquecerá novamente os desejos, umedecerá a pele encobrindo a maldita ruga e reavivará o apetite pela vida.&lt;br /&gt;- Salute!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-7286750635302309743?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/7286750635302309743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=7286750635302309743' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7286750635302309743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7286750635302309743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/08/dia-de-chuva_05.html' title='Dia de chuva'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SJhGAa_qmkI/AAAAAAAAAFU/ZHj_Ld0a610/s72-c/chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-1618833793392839019</id><published>2008-06-12T13:38:00.000-07:00</published><updated>2008-06-12T13:58:29.445-07:00</updated><title type='text'>Por amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SFGMZxys_PI/AAAAAAAAAEs/RfvMDc1G3CM/s1600-h/esperando+clientes+de+joao+werner.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SFGMZxys_PI/AAAAAAAAAEs/RfvMDc1G3CM/s400/esperando+clientes+de+joao+werner.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211100618334993650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O olhar ficou perdido e triste.&lt;br /&gt;Vagava pelo tempo, pelas lembranças, à procura do que dizer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Minha infância? Sim, eu me lembro. &lt;br /&gt;Oh, meu Deus, isso já faz tantos anos!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A risada encorpada e grossa ecoou pela saleta abafada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mamãe era uma mulher muito bonita. Dinalva. Todos os homens gostavam dela.&lt;br /&gt;Ficávamos, ela e eu, numa esquina no centro da cidade. Logo aparecia um homem bom que nos levava a passear. Ele acariciava mamãe e sempre lhe dava dinheiro.&lt;br /&gt;Um ou outro ficava zangado depois de um tempo e batia nela. Nesses dias ela também batia em mim. Coitada! A vida era dura.&lt;br /&gt;De vez em quando ela me deixava ali na esquina e saía sozinha com o homem. Eu tinha medo, mas ficava esperando, e horas depois ela voltava. Trazia dinheiro, trazia um dente a menos, trazia os olhos vermelhos de raiva, mas sempre voltava.&lt;br /&gt;E eu agarrava a sua mão e juntos voltávamos pra casa.&lt;br /&gt;Aos seis anos, sim, acho que foi nessa idade, não pude mais acompanhar mamãe.&lt;br /&gt;Ela dizia que eu atrapalhava os negócios. E eu ficava trancado em casa, contando os minutos pelas batidas do meu coração. Dormia, acordava, dormia novamente.&lt;br /&gt;Comia o pão seco, esfregava um carrinho sem rodas no chão de terra do barraco, muito devagarinho pra não levantar poeira. Mamãe não suportava poeira.&lt;br /&gt;Quando eu pressentia seus passos se aproximando da porta, fingia dormir.&lt;br /&gt;Ela não gostava de conversar depois do trabalho. Ela nunca gostava de conversar. Mas cada um é cada um. E quando ela dormia, exausta, largada e nua, eu ficava velando seu sono. Pobre mamãe!&lt;br /&gt;Aos oito anos já era tempo de fazer alguma coisa por ela e fui para as ruas trabalhar.&lt;br /&gt;Aprendi muito rápido. Com os olhos apertadinhos, eu colocava as mãos em súplica e em pouco tempo derramava lágrimas verdadeiras.&lt;br /&gt;As pessoas entendiam a minha dor. Passavam a mão em minha cabeça e me davam dinheiro, roupas, alimentos e até brinquedos eu ganhei.&lt;br /&gt;Passei a sustentar a casa. Era arrimo de mamãe e ela ficava muito feliz. Deixou de trabalhar. Precisava aproveitar a vida. Precisava mesmo. Depois de tudo que ela fizera por mim, era mais que justo que agora eu cuidasse dela. &lt;br /&gt;Por mamãe eu era capaz de tudo.&lt;br /&gt;E os dias eram bons. Ela e eu. Nós dois.&lt;br /&gt;Aos quinze anos consegui outro tipo de trabalho, afinal, eu já era um homem e não ficava nada bem continuar mendigando.  Fiz meu primeiro programa e a dona ficou tão satisfeita que me pagou no ato.&lt;br /&gt;Dali pra frente os negócios foram de vento em popa. Dinheiro passou a correr nas minhas mãos feito água encanada em torneira de rico.&lt;br /&gt;Tirei mamãe do barraco. Não entendi quando ela deixou a casa toda branquinha com jardim na frente e voltou pra favela. Não entendi. &lt;br /&gt;Mas entender não era necessário.Bastava fazer. Fazer por ela. E eu fazia.&lt;br /&gt;Até que apareceu um tal de Genaro, cabra insolente, e mamãe se tomou de amores por ele. O vagabundo meteu-se de mala e cuia em nosso barraco e passou a fazer cara de patrão. Não tive outro jeito e dei cabo do infeliz.&lt;br /&gt;Mamãe ficou muito zangada. Coitada! Ela não compreendia que aquele homem era mau. &lt;br /&gt;E nesse dia me deu uma surra de criar bicho. Mesmo estropiado de pancada, fui obrigado a fugir pra não ser preso. Chorei. Chorei tanto! Não queria ficar longe dela.&lt;br /&gt;E mesmo de longe, de muito longe, eu mandava dinheiro. Ah, mandava! Ela precisava e merecia. Se alguém nessa vida merecia ser feliz, esse alguém era a minha mãe.&lt;br /&gt;Deixei a poeira baixar e quando achei que era hora, voltei. Meu coração não cabia no peito de saudade. Sentia medo de não chegar, de não avistar o barraco, de não olhar pra ela novamente. Mas lá estava Dinalva e estava tão feliz! Pela primeira vez eu vi um sorriso naquela boca sem dentes. Quando ela me viu, os lábios se fecharam e os olhos ficaram duros. Coitada! Depois de tanto tempo sem me ver, o que eu podia esperar? &lt;br /&gt;José apareceu na porta, coçando a barriga gorda e perguntando quem era eu. Mamãe disse qualquer coisa e o homem riu. Eu não ouvi muito bem, mas meu coração ouviu tudo direitinho. Eu era seu filho mui amado e finalmente estava de volta. Escutei nitidamente quando mamãe pediu a José que fosse embora, porque dali pra frente eu cuidaria de tudo.&lt;br /&gt;Eu escutei, mas José não escutou e ficou zangado e bateu em mim. Mamãe também ficou zangada. E naquele dia me deu uma surra muito pior que da última vez. Pobre mamãe. Mas eu não me importava. Estava ali pra cuidar dela.&lt;br /&gt;E de um golpe só, bem na goela, despachei o tal José pras terras do sem fim.&lt;br /&gt;Mamãe nem tinha culpa por não compreender. Nunca ganhara o mundo, nunca ganhara nada além das muitas camas em que se deitara.&lt;br /&gt;E outra fuga atingiu meus pés, que já estavam ficando um pouco cansados de tanto cuidar. Mas fiquei na vida. Precisava cuidar de mamãe.&lt;br /&gt;As donas me procuravam pedindo amor. E eu sabia dar amor. Ah, sabia! Aprendi com mamãe. Dei amor às mulheres jovens, às mulheres de meia idade, às mulheres velhas.&lt;br /&gt;Algumas pediam pancada. E eu dava. Não podia negar. Afinal, o amor é assim mesmo.&lt;br /&gt;Dei amor aos homens que gostavam de meninos. E eram tantos. Alguns até morreram de tanto amor.&lt;br /&gt;E a vida ficou em mim, até que tudo perdeu o sentido e se acabou. Mamãe morreu e nem pude ver seu corpo bonito estendido no caixão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais uma vez seu olhar vagou pelo tempo.&lt;br /&gt;Estava distante e triste, mas parecia resignado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Gosto daqui. Tenho sossego. Não preciso fazer nada além de dormir, acordar e dormir de novo. O pão nunca está completamente seco, nem a água totalmente quente.&lt;br /&gt;As baratas e os ratos nem me incomodam muito. Do jeito que chegam, vão. A vida é assim mesmo. Mas o que me dá alegria é saber que mamãe está bem. Coitada. Lá do céu ela cuida de mim. Depois de tudo que fiz por ela, sei que cuida.&lt;br /&gt;Eu já estava tão cansado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ilustração: "Esperando clientes" do artista plástico João Werner&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-1618833793392839019?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/1618833793392839019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=1618833793392839019' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1618833793392839019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/1618833793392839019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/06/por-amor.html' title='Por amor'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SFGMZxys_PI/AAAAAAAAAEs/RfvMDc1G3CM/s72-c/esperando+clientes+de+joao+werner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-843790567531750737</id><published>2008-06-05T15:06:00.001-07:00</published><updated>2009-06-25T14:54:26.215-07:00</updated><title type='text'>Sob o domínio do medo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPx1vFfFRI/AAAAAAAAALE/DrIioaFUX90/s1600-h/luar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 307px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPx1vFfFRI/AAAAAAAAALE/DrIioaFUX90/s400/luar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351386687721116946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O cão levou um pontapé e saiu ganindo de dor, talvez, de humilhação. Sabe-se lá se um cão tem esse tipo de sentimento. Sabe-se lá!&lt;br /&gt;Adélia manteve o olhar muito baixo, quase apagado. Gostava do animal, mas temia o marido.&lt;br /&gt;Mostrou as contas de água e luz, escutou os palavrões habituais e ganhou um bofete na cara.&lt;br /&gt;Não revidou, nem respirou. Tinha medo. E os três filhos muito jovens precisavam viver, estudar, ter diplomas e alcançar a liberdade.&lt;br /&gt;Todos os dias eram iguais.&lt;br /&gt;Mentira!&lt;br /&gt;Alguns eram piores.&lt;br /&gt;Jorge chegava em casa encharcado de álcool, e nesse dia, Adélia apanhava de cinta, de cabo de vassoura, de chinelo, ou de qualquer coisa por coisa qualquer.&lt;br /&gt;Os meninos ficavam quietinhos, sem fazer ruído algum. Eram pequenos demais para mostrar coragem, mas grandes o suficiente para sentir ódio.&lt;br /&gt;E no dia seguinte, Jorge acordava de ressaca, quebrava um prato, chutava as cadeiras e o cão, e saía para o trabalho. Só então as crianças tinham permissão para sair da cama. Tomavam o café da manhã, sempre frugal por força da avareza do pai, e seguiam para a escola, engolindo o choro e a vontade de matar.&lt;br /&gt;Adélia se entregava ao trabalho, moída e colorida pelas pancadas. &lt;br /&gt;O cão se achegava a ela e juntos lamentavam a vida desgraçada.&lt;br /&gt;E quando a campainha tocou, ela ficou em silêncio. Não queria que a vizinha visse os hematomas e a vergonha.&lt;br /&gt;Chorava baixinho, evitando os espasmos, e mesmo assim, o choro abafado provocava mais dores onde já doía tanto.&lt;br /&gt;De noite, Jorge entrou em casa e jogou um pacotinho em cima da mesa.&lt;br /&gt;- Adélia! Pega! É pra você.&lt;br /&gt;Ela abriu o pequeno saco pardo e deu de cara com quatro paçocas, seu doce predileto.&lt;br /&gt;Era assim que ele pedia desculpas pelas surras. Era assim que ele comunicava o seu desejo de trepar. &lt;br /&gt;Engolindo as lágrimas de revolta, ela entregou um doce a cada menino, e o último seria dado ao cão num momento oportuno, afinal, também o animal precisava de um pedido de desculpas.&lt;br /&gt;Ela sabia que hoje, pelo menos hoje, não levaria outra surra. Jorge precisava esporrar toda a sua maldade, e com isso, aliviar a tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de ano.&lt;br /&gt;As crianças foram aprovadas na escola e acariciadas pela mãe.&lt;br /&gt;Férias.&lt;br /&gt;Antônio, o filho mais velho, tinha um emprego garantido na quitanda do seu Joaquim.&lt;br /&gt;Mal completara quinze anos e já era um guerreiro.&lt;br /&gt;Adolfo, o filho do meio, tinha treze anos.&lt;br /&gt;E Augusto, o caçula, ainda não alcançara os onze anos.&lt;br /&gt;Adélia servia as refeições para os filhos sempre mais cedo, para evitar confrontos à mesa. E quando o marido voltava do trabalho, ao final do dia, os meninos já estavam deitados, com os olhos pregados na escuridão. &lt;br /&gt;Tudo ficava sob um controle asfixiante, onde o ar denso e tenso poderia ser cortado à faca.&lt;br /&gt;As noites, dentro de casa, eram negras e repletas de medo.&lt;br /&gt;As noites, fora de casa, eram enluaradas e cheias de estrelas.&lt;br /&gt;Mas, Antônio não via a lua. Vinha correndo, atrasado, cansado e apavorado. Trabalhara até mais tarde nas entregas da quitanda. E quando entrou em casa, o pai se levantou e veio em sua direção:&lt;br /&gt;- Onde você estava, vagabundo?&lt;br /&gt;- Trabalhando, pai.&lt;br /&gt;- O que? Onde?&lt;br /&gt;- Na quitanda do Seu Joaquim.&lt;br /&gt;- Mentiroso! Aposto que você estava fazendo o que não devia!&lt;br /&gt;E desferiu um soco no rosto de Antônio.&lt;br /&gt;O garoto caiu. Caiu e se levantou. Encarou o pai, do alto dos seus quinze anos e disse:&lt;br /&gt;- Nunca mais encoste as suas mãos em mim! Sou capaz de matar você!&lt;br /&gt;Jorge levantou a mão para bater de novo, mas, Antônio estava preparado e cheio de ódio. Segurou o braço do pai e torceu com violência, provocando um estalo seco.&lt;br /&gt;Adélia veio correndo. O cachorro veio correndo. E até os meninos ousaram se levantar da cama, para assistir a cena.&lt;br /&gt;Jorge estava pálido de dor, segurando o braço quebrado. Olhou Antônio mais uma vez e saiu.&lt;br /&gt;- Meu filho! O que você fez? O que vai ser de nós agora?&lt;br /&gt;- Não sei, mãe. Mas, precisamos enfrentar o pai.&lt;br /&gt;Com exceção dos garotos menores, ninguém dormiu. &lt;br /&gt;O cão gania baixinho, aos pés de Adélia, pressentindo alguma desgraça.&lt;br /&gt;Mãe e filho se amoitaram na varanda. Pela primeira vez, em muito tempo, enxergaram as estrelas. As nuvens, vez por outra, encobriam a lua, e em seguida, generosas, mostravam novamente todo o brilho do céu. Se não fosse pela espera aterrorizante, eles diriam que a noite estava linda.  &lt;br /&gt;Quando a madrugada já ia muito alta, Jorge voltou.  Estava com o braço engessado. Seu andar era firme e o olhar, medonho.&lt;br /&gt;- Pegue a sua trouxa e dê o fora daqui, moleque!&lt;br /&gt;Antônio olhou para a mãe, esperando que ela tomasse alguma atitude.&lt;br /&gt;- Vamos, vagabundo! Está esperando o que?&lt;br /&gt;Adélia puxou um fio de voz e disse:&lt;br /&gt;- Vou fazer a trouxa.&lt;br /&gt;O homem sorriu vitorioso. Refestelou-se na cadeira da varanda e manteve o ar prepotente e cínico de todos os dias.&lt;br /&gt;Antônio seguiu a mãe. Estava decepcionado. Estava triste.&lt;br /&gt;Mas, ao invés de seguir para o quarto do menino, Adélia entrou em seu próprio quarto.&lt;br /&gt;A coragem brotara como semente que finalmente acorda e sai da terra.&lt;br /&gt;Pegou um lençol, abriu-o sobre a cama e jogou nele todas as roupas de Jorge. Reservou somente uma cinta ao lado da mochila improvisada.&lt;br /&gt;Antônio chorou baixinho. Estava agradecido. Estava feliz.&lt;br /&gt;A mãe olhou para ele e sorriu. &lt;br /&gt;Amarrou a trouxa e caminhou serena até a varanda, carregando as roupas num braço e a cinta no outro.&lt;br /&gt;- Aqui estão as suas roupas, Jorge.&lt;br /&gt;Jorge começou a rir de tamanho disparate e desafivelou a cinta.&lt;br /&gt;- Hoje vou bater em você com muito gosto, vagabunda!&lt;br /&gt;Antônio fincou os pés ao lado da mãe e apenas olhou para o pai.&lt;br /&gt;Jorge avançou sobre eles.&lt;br /&gt;Adélia empurrou o marido. O braço quebrado fez com que ele perdesse o equilíbrio e caísse. &lt;br /&gt;A mulher levantou a cinta, ante o olhar espantado de Jorge e bateu.&lt;br /&gt;Bateu na revolta.&lt;br /&gt;Surrou a vergonha.&lt;br /&gt;Espancou o tempo perdido.&lt;br /&gt;Bateu até sentir na boca o gosto de sangue. Era o seu próprio sangue escorrendo e também querendo bater.&lt;br /&gt;- Chega, mãe. Ele já está pronto pra ir embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-843790567531750737?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/843790567531750737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=843790567531750737' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/843790567531750737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/843790567531750737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/06/sob-o-domnio-do-medo.html' title='Sob o domínio do medo'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SkPx1vFfFRI/AAAAAAAAALE/DrIioaFUX90/s72-c/luar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-285551708688026250</id><published>2008-06-04T05:46:00.000-07:00</published><updated>2008-06-08T18:05:02.258-07:00</updated><title type='text'>Há quem diga tantas coisas!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBtpF9tBI/AAAAAAAAAEU/m4oazyfN360/s1600-h/meus+jasmins.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBtpF9tBI/AAAAAAAAAEU/m4oazyfN360/s400/meus+jasmins.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209681490085786642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os dias se arrastam apáticos e a morte ronda o corpo coberto por feridas da imobilidade.&lt;br /&gt;Alguém espia através da porta entreaberta.&lt;br /&gt;Ela está na cama, enfraquecida e quieta. Parece serena. &lt;br /&gt;Não mais se ouvem os gritos de dor e nem mesmo os gemidos de agonia.&lt;br /&gt;A respiração se tornou suave, e nas raras vezes em que ela encara o mundo, sorri.&lt;br /&gt;Há quem diga ter escutado um riso solto.&lt;br /&gt;Há quem diga ter escutado sussurros e breves conversas.&lt;br /&gt;Há quem diga tantas coisas!&lt;br /&gt;Mas ela não mais se incomoda com os dizeres do mundo.&lt;br /&gt;Conduz a própria sombra através da noite e se senta no alto do mais alto edifício para contemplar as luzes da cidade.&lt;br /&gt;É linda a sua cidade, reverberando ao luar. Sentirá saudade.&lt;br /&gt;O vento frio agita seus cabelos brancos e a barra da camisola azul. &lt;br /&gt;Em êxtase, ela junta as mãos para uma pequena prece. &lt;br /&gt;Pensa nos filhos. Pensa nos netos. Pensa no amor que sente por eles.&lt;br /&gt;Pensa no seu jardim, nos pássaros que alimentou, no cão fiel que se sentou aos seus pés, dia após dia, aquecendo a sua velhice.&lt;br /&gt;Pensa nos amigos. Muitos já partiram. Alguns até lhe acenam lá das estrelas.&lt;br /&gt;Durante meses, presa ao leito, tivera tempo para compreender a passagem pela vida e o chamado da morte.&lt;br /&gt;Sentira tanto medo. Medo de partir. Medo de ficar.&lt;br /&gt;Agarrava-se às feridas, à falta de ar, à paralisia. Sinais vitais.&lt;br /&gt;Ficava mais um dia, mais uma noite, um dia mais.&lt;br /&gt;E foram tantos os dias de agonia que se cansou.&lt;br /&gt;Deixou que a sua sombra se aproximasse da janela. &lt;br /&gt;Permitiu que ela engatinhasse nos beirais do edifício. &lt;br /&gt;E lhe concedeu um pequeno vôo, o primeiro entre tantos vôos rumo à libertação.&lt;br /&gt;Finalmente, sem temor, ela sobrevoa os campos, a cidade, os bairros. &lt;br /&gt;Retorna ao portão de casa.&lt;br /&gt;O jardim continua exuberante, os jasmins exalam seu doce perfume e o cão late feliz pressentindo a sua presença.&lt;br /&gt;Faz um último afago no cão, lança um último olhar ao jardim. Colhe um ramo de jasmins e coloca nos cabelos.&lt;br /&gt;Despede-se. Um até breve, quem sabe?&lt;br /&gt;Há quem diga que, lá do céu, ela poderá avistar a cidade, as pessoas, a vida.&lt;br /&gt;Há quem diga até que, vez por outra, ela poderá retornar e amenizar a saudade.&lt;br /&gt;Há quem diga tantas coisas!&lt;br /&gt;Ela volta ao leito e avista os filhos, os netos, o doutor. Sorri.&lt;br /&gt;Balbucia o seu amor por eles e ameaça um aceno de adeus.&lt;br /&gt;Vai embora, alçando seu mais lindo vôo rumo ao céu.&lt;br /&gt;A brisa agita suavemente as cortinas brancas. &lt;br /&gt;E há quem diga ter sentido o doce perfume de jasmins no aposento.&lt;br /&gt;Há quem diga ter encontrado um pequeno ramo das singelas  flores  sobre o travesseiro.&lt;br /&gt;Há quem diga tantas coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-285551708688026250?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/285551708688026250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=285551708688026250' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/285551708688026250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/285551708688026250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/06/h-quem-diga-tantas-coisas.html' title='Há quem diga tantas coisas!'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBtpF9tBI/AAAAAAAAAEU/m4oazyfN360/s72-c/meus+jasmins.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6532912505961458373.post-7372324678045779959</id><published>2008-05-31T06:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-08T18:03:38.523-07:00</updated><title type='text'>Sem duelos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBWoU0WBI/AAAAAAAAAEM/TWhVOtsfcE8/s1600-h/sem+duelos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBWoU0WBI/AAAAAAAAAEM/TWhVOtsfcE8/s400/sem+duelos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209681094742661138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desisti dos duelos quando compreendi a relatividade dos fatos e a finitude da vida.&lt;br /&gt;Enterrei as armas antes de ser sepultada por elas.&lt;br /&gt;Guardei as minhas verdades na alma para não perder meu coração.&lt;br /&gt;Não me agrada ditar verdades. Mesmo porque, contrariando o nosso Einstein, elas são relativas.&lt;br /&gt;Não me agradam os grupos. Prefiro a solidão dos pensamentos.&lt;br /&gt;Também não me agradam as palavras ditas em altos brados. Gosto dos sussurros.&lt;br /&gt;Não me agradam os finais de tardes. Aprecio a noite, o luar, o surrealismo das estrelas.&lt;br /&gt;Também não me agradam conceitos. Prefiro a loucura que, por um triz, não se transforma em lucidez.&lt;br /&gt;Acostumei-me a andar na corda bamba e sentir o fio teso da vida prestes a arrebentar.&lt;br /&gt;Quando menos se espera ela termina. E todas as verdades caem no esquecimento.&lt;br /&gt;Restarão as mentiras, intactas, pairando no ar, num renascimento incessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Valéria Nogueira Eik&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6532912505961458373-7372324678045779959?l=valeriaeik.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://valeriaeik.blogspot.com/feeds/7372324678045779959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6532912505961458373&amp;postID=7372324678045779959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7372324678045779959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6532912505961458373/posts/default/7372324678045779959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://valeriaeik.blogspot.com/2008/05/sem-duelos.html' title='Sem duelos'/><author><name>Valéria Eik</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01051666583263712200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SlZXAsZbRII/AAAAAAAAAMM/1Lb0UvdDLMY/S220/ve.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UojDhwFUgR8/SEyBWoU0WBI/AAAAAAAAAEM/TWhVOtsfcE8/s72-c/sem+duelos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
